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"Eles tentaram nos enterrar, mas não sabiam que éramos sementes! "

Proverbio mexicano
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sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Qual o significado do anel de tucum usado por muitos religiosos?

Qual o significado do anel de tucum usado por muitos religiosos?

Pe. Lucas Emanuel, C.Ss.R

Historicamente falando, o Anel de Tucum nasce no tempo do Império do Brasil. Enquanto a realeza usava joias de metais e ouro, os escravos e índios, sem acesso a esses materiais, criaram o Anel do Tucum. Tucum é uma Palmeira comum na Amazônia. Fizeram, então, desse objeto rústico um símbolo de amizade entre si, pactos matrimoniais e, também, de resistência na luta por libertação. Desse modo, o anel de Tucum era um símbolo cuja linguagem, só eles conheciam. Um símbolo secreto da amizade deles e de suas lutas cotidianas. Mais tarde, os cristãos passam a ter no Anel de Tucum um símbolo de fé e compromisso. Especialmente com a Teologia da Libertação, nos anos 60, quando o apelo às causas dos mais pobres e abandonados começa a crescer, não só no Brasil como também em nossa América Latina. Tivemos, portanto, nesse período um grupo grande de pessoas dedicadas à luta dos mais fracos, o que rendeu muitos testemunhos e martírios. Dom Pedro Casaldáliga é um exponente que nos retrata essas lutas. Esse ilustre Bispo Profeta, num Filme sobre o Anel de Tucum, nos apresenta o significado do anel com essas palavras: “Anel de Tucum é sinal da aliança com a causa indígena e com as causas populares. Quem carrega esse anel significa que assumiu essas causas. E, as suas consequências”. Dizendo isto, lança o convite: “Você toparia levar um anel? Topa?”. As causas de ontem se encontram com as causas de hoje. Nossas lutas mudaram de cenários e nomes e os pobres ainda continuam excluídos e oprimidos. Por isso, o anel de Tucum quer simbolizar uma fé engajada, um compromisso com os pobres, com os sem voz e os sem vez, um compromisso com a VIDA!
Jesus nos revela que Deus está ao lado dos pobres e quer promover sua dignidade, no rosto do pobre encontramos o rosto de Deus. “Na verdade vos digo: toda vez que fizestes isso a um desses mais pequenos dentre meus irmãos foi a mim que o fizestes!” (Mt 25, 40). Portanto, se nos comprometemos às causas dos preferidos de Deus é com Ele que nos comprometemos!


 


quarta-feira, 1 de julho de 2015

“Sigo com meu irmão Parkinson”, manifesta-se Pedro Casaldáliga


Há mais de 30 anos, acompanham Pedro Casaldáliga (foto). Durante sua saída temporária de São Félix do Araguaia, há dois anos, após receber ameaças de morte, estiveram ao seu lado. São seus olhos e sua voz, agora que o maldito Parkinson avança, inexorável. 
José María Concepción e Mari Pepa Raba falaram, nesta tarde, com o profeta da Amazônia, preocupados após algumas notícias que mencionavam um importante agravamento da enfermidade: “Sigo com meu irmão Parkinson”, disse-lhes.

 

 
A reportagem é de Jesús Bastante, publicada por Religión Digital, 30-06-2015. 
A tradução é do Cepat.                                                                                                                              

“Está alegre, cansado, mas lúcido”, relata Mari Pepa, após o susto desta manhã. “É auxiliado por três enfermeiras, e nos tranquilizaram. Teremos que aguardar as homenagens póstumas, felizmente”, brinca.
“Paz e bem, desejo vê-los logo”, disse Casaldáliga durante a breve conversa. Aos 88 anos, viveu com alegria a publicação de “Laudato Si”, onde estão resumidas muitas das lutas que envolveram sua vida na Amazônia: a Terra, a causa indígena, o respeito à Criação e o homem como parte de uma natureza global.
Outro amigo de Casaldáliga, Eduardo Lallana, um dos incentivadores da “Missa da Terra Sem Males” (com texto do bispo), exatamente neste momento está retornando de São Félix, onde esteve até ontem compartilhando a vida e a alegria com dom Pedro. “Disse-nos que notou que estava igual, com dificuldades para falar, como é lógico, mas perfeitamente lúcido”, afirma José María.
“A enfermidade avança, como é lógico, mas em nada precisamos pensar que estamos diante dos últimos dias deCasaldáliga”, concluem José María Concepción e Mari Pepa Raba. “Não há um processo de término”, afirmam, recordando uma das primeiras frases que lhes dirigiu o bispo, amigo e cristão: “Aqueles do Primeiro Mundo, se não trabalharem a solidariedade, não se salvarão, haja o que houver”.
in: Instituto Humanitas Unisinos, 01 de julho de 2015