AI-5 SE ATUALUZA APÓS 48 ANOS...
ESTADO DE EXCEÇÃO SE AFIRMA...
HÁ QUE COMPARTILHAR O MAIS AMPLAMENTE...
Saímos de Campina Grande- PB no domingo, dia 27. Éramos três professores: um do IF e dois da UEPB, e os demais 42 eram estudantes secundaristas e universitários. No dia da nossa chegada, nos concentramos na UNB.
No dia seguinte, fomos ao local das atividades. Após concentração e distribuição do almoço no MEC, assistimos a fala da Maria Lúcia Fatorreli. Em seguida, caminhamos para a concentração no Museu e de lá caminhamos em direção ao Senado. Nunca tinha visto tanta gente na rua lutando pela mesma causa. Não sou a melhor pessoa para números, mas acredito que tínhamos 50.000 pessoas na rua. A energia era forte, uma mistura de determinação e esperança. Nosso grupo rapidamente chegou ao gramado que antecede o espelho d'gua. Sem aparente identificação, os policiais já estavam posicionados para nos receber. Até então não tinha havido nenhum tipo de embate, apenas algumas pessoas dentro da água. Do lado oposto em que estávamos, uma mulher dizia algo para os policiais. Nesse momento tive a idéia de abrir a bolsa e pegar o celular. Nessa fração de segundo ouvi uma vaia generalizada e levantei os olhos: a mulher estava inerte na água. Todos se revoltaram com o fato do policial jogar spray de pimenta algumas vezes e ela não recuar. No entanto, a maior revolta foi a agressão física que a fez desmaiar na água: enquanto jogava o spray, ele a chutou no rosto. Lembrem- se que ela estava no nível mais baixo ( na água) e ele no terraço do Senado. Sim, a polícia provocou e começou as agressões. Aí tudo virou um caos. Um grupo virou um carro branco, acendeu o fogo e em seguida o empurrou em direção aos policiais, numa espécie de barricada para tentar resgatar a moça. Outras pessoas foram de mãos para cima para tentar negociar a retirada garota, mas também levaram spray de pimenta. Nesse momento, as bombas de gás lacrimogêneo começaram a cair por todos os lados. Uma caiu na nossa frente, saímos de lá com aquela sensação de queimor insuportável, mas, ao mesmo tempo, já estávamos com pequenas quantidades de vinagre ( já que este e o leite de magnésio são eficazes para barrar os sintomas que o gás causa). Todas essas recomendações recebemos e propagamos na viagem, bem como as estratégias de rota de fuga ( com uma montagem de um mapa do plano piloto) em caso de embate com a polícia, dispersamento ou desencontro.
A medida em que recuávamos, a polícia avançava. Ela não poupava ninguém. Quando o protesto começava a tomar corpo, já se aproximava do fim do expediente dos trabalhadores. Ninguém foi poupado. Vi idosos, mulheres com crianças, e nós, os militantes, apanharem muito. O desespero era fugir do gás e, simultaneamente, retirar quem estivesse atingido ao lado: foi a maior lição de solidariedade que vivi.
Nossa janela de fuga ( sim, porque 95% das pessoas que lá estavam não foram preparadas para uma guerrilha urbana) foi proporcionada pelos Blacks BLOCKs. Eles retardaram o avanço da polícia e criaram, junto com alguns militantes mais experientes, barricadas para conter o avanço policial. Eles também apanharam muito. Carros foram queimados para distrair atenção dos agressores, painéis e alguns prédios de ministérios foram quebrados na tentativa de diminuir as agressões e salvar as pessoas feridas.
Nesse momento percebemos os helicópteros ( eu contei 4 diferentes). No início eu achei que era apenas para acompanhamento da movimentação da massa. Já no início da noite, algumas aeronaves começaram a fazer voos mais baixos e, logo em seguida, estourava uma nova bomba. Eu não vi cair nenhuma bomba dos helicópteros, mesmo porque o inferno estava no solo, mas a polícia estava muito longe para que as bombas chegassem a nós. O pior aconteceu quando a cavalaria entrou em ação. O pânico tomou de conta. As pessoas corriam enlouquecidas com medo de serem pisoteadas pelos cavalos. E o confronto seguiu nesse terror. Estávamos assustados demais para reagir e, em nosso grupo, a prioridade era proteger os alunos já que a maioria deles nunca tinham presenciado embates tão duros. Hoje percebo que o país inteiro não tinha vivido tão recentemente tamanha truculência.
Conseguimos enviar boa parte do grupo para o ônibus, mas ainda tínhamos que pegar os outros no nosso ponto de fuga. Criou-se assim uma espécie de equipe de resgate. Nesse momento trocamos de blusas, tiramos botons/adesivos e jogamos as bandeiras fora. O mais importante era restabelecer em segurança o grupo. E as bombas continuavam a cair. Um dos aspectos que a bomba causa é o impacto psicológico: elas tem um som ensurdecedor e treme o chão quando toca o solo. Ainda assim, depois de juntarmos quase todos e o clima aparentemente ter acalmado, ainha tínhamos os desaparecidos. Só tínhamos duas alternativas: hospital ou cadeia. A ajuda dos companheiros que não estavam no protesto foi fundamental. Eles nos ajudaram a localizar várias pessoas, entre elas, nossa companheira desaparecida que estava no hospital da UNB. Ela foi socorrida por uma enfermeira que tinha na mão o magnésio e a achou desacordada debaixo de uma árvore. Não sabemos seu nome, apenas que salvou nossa aluna. Para esta pessoa os meus mais sinceros agradecimentos. Não são todos que se dispõe a salvar a vida do outro, colocando a sua própria vida em jogo. Não podemos esquecer da equipe médica que a atendeu. Não tenham dúvidas de que foi um belíssimo trabalho, já que nossa aluna possuía uma fragilidade pulmonar que complicou os sintomas do gás em seu corpo. Obrigada equipe médica da UNB.
Ao acordar, nossa aluna conseguiu passar as informações para o pessoal do hospital, que entraram em contato com familiares e professores de sua unidade de ensino que, por sua vez, entraram em contato conosco. Ela nos relatou que o hospital estava cheio e que, em sua maioria, mulheres eram as principais vítimas, sobretudo as que estavam com os seios desnudos. Impossível não fazer um leitura sociológica desse fenômeno. Ela também nos relatou um caso de uma criança de ( aparente)10 anos. Ela e sua mãe estavam muito machucadas: a mãe com marcas roxas pelo corpo causado pelo cacetete, a criança com 15 pontos na boca em direção às maçãs do rosto. A mãe foi buscá-la na escola vestindo uma camisa do "Fora Temer" e, por azar, estava no olhou do furação. A mãe foi agredida pelo policial que, não satisfeito com o espancamento, partiu para agredir a criança.
Pude perceber que existia prazer em alguns policiais em agredir as pessoas, outros, nos indicavam com um olhar uma rota de fuga. Pessoas e pessoas.
Não posso deixar de mencionar o papel de alguns cidadãos de Brasília. Mesmo não estando no protesto, eles nos indicavam os possíveis caminhos para fugir daquela insanidade. Muito obrigada.
Já passava das 21h e ainda tínhamos alunos desaparecidos. Ficamos sabendo que a polícia tinha fechado a rodoviária e estava prendendo militantes dentro dos ônibus estacionados nas imediações da rodoviária. Ao mesmo tempo, dois dos nosso alunos estavam em outra localidade com uma delegação diferente. Decidimos pegar um táxi e entrar na rodoviária para procurarmos o último desaparecido. Para nossa sorte, recebemos mensagem de que ele tinha encontrado nosso transporte e estava a salvo. Assim retornamos ao ônibus e saímos de Brasília naquele mesmo momento.
Sentimos falta da presença da CUT e MST. Acredito que se eles estivessem lá o resultado poderia ser diferente. No entanto, as entidades que estavam, nos deram maior apoio possível, inclusive, de ordem tática. Não foi a toa que a polícia deu voz de prisão aos manifestantes que estavam no alto do trio elétrico chamando a militância a resistir ao avanços dos policiais.
Acredito que o protesto de ontem e seus desdobramentos deram início a outro momento na história do país. E o protagonismo será da juventude. Cabe a nós, os professores, o papel de elaborar proteger, orientar, salvar, zelar e agir por nosso jovens.
Me desculpem eventuais erros e equívocos, mas ainda estamos na estrada rumo ao nosso destino. Ao menor sinal de Internet, recebemos muitos pedidos de informações e, por este motivo, fiz esse relato.
Nesse momento, 20:56 do dia 30/11/16, em algum lugar desta enorme Bahia, decidi escrever esse texto como forma de informação, mas também de expurgo para a compreensão geral dos chocantes acontecimentos de ontem.
É imprecionante o crescimento individual deste grupo de alunos. Eles estão mais coesos e solidários. No início da viagem houve pequenos ruídos por causa dos posicionamentos de um grupo de alunos com outro grupo que tinha orientação lgbt. Neste exato momento estou sentada entre dois grandes grupos que estão debatendo questões específicas. Os rapazes mais conservadores estão discutindo gênero com parte do grupo lgbt e o outro discutindo formas de exploração do trabalho. Se tornaram homens e mulheres, literalmente, do dia pra noite. Eu apenas os observo, afinal quem mais está aprendendo aqui sou eu. E meu coração está inundando de amor e felicidade.
A PEC passou e irá passar. Mas o sentimento de que fiz ( fizemos) tudo que estava ao meu (nosso) alcance me conforta, mas não me resigna. Saio mais convicta da necessidade da luta.
Mauriene Freitas, Profa da UEPB.
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"Eles tentaram nos enterrar, mas não sabiam que éramos sementes! "
Proverbio mexicano
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Onivaldo Dyna
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quinta-feira, 1 de dezembro de 2016
quinta-feira, 7 de julho de 2016
Levantamento estudantil na América Latina
Levantamento estudantil na América Latina -
Estudantes chilenos protestam contra a reforma educacional de Bachelet
IHU - Unisinos - Adital
*Por João Flores da Cunha/ IHU e agências | Tradução: Juan Luis Hermida
Na terça-feira (5) milhares de estudantes protestaram em Santiago do Chile contra o projeto de reforma educacional que a presidenta Michelle Bachelet enviou ao Congresso Nacional no dia anterior (04 de julho). Os manifestantes foram contidos pela polícia quando tentavam se dirigirem ao Palácio de La Moneda, sede do governo, e houve confronto. Os órgãos de segurança justificaram a repressão pelo fato de que os estudantes não informaram previamente para as autoridades sobre o protesto.
A Confederação de Estudantes do Chile - Confech, entidade representativa dos alunos, promete realizar outro protesto no próximo domingo (10). A luta estudantil no Chile, que já dura uma década, faz parte de um processo maior de demanda pelo direito à educação que se desenvolve na América Latina atualmente, em especial no Brasil e no México.
O projeto de Bachelet
A reforma educacional, promessa de campanha de Bachelet, prevê a gratuidade do ensino superior para todos, mas não estabelece um prazo para isso. Ela estende o custo zero para alunos selecionados com base em critérios sócioeconômicos de forma gradual até 2020. Depois disso, a gratuidade pode começar a valer para todos, mas será implementada a partir de um cálculo ligado ao crescimento do Produto Bruto Interno - PBI do país (PIB, em português). Ou seja, que na prática, a gratuidade passa a valer apenas se o Chile conseguir alcançar as metas de crescimento econômico.
A Confech denuncia que "o governo está conduzindo uma reforma que consolida o negócio de educação ao custo da educação pública como um direito". Os estudantes demandam a gratuidade da educação para todos e querem o fim do lucro das instituições privadas. Eles também pedem a renúncia da ministra de Educação, Adriana Delpiano.
Debate público
O governo afirma que a gratuidade imediata do ensino superior que pedem os estudantes custaria aos cofres públicos 3,5 bilhões de dólares. O ministro da Fazenda, Rodrigo Valdés, declarou que "se o Chile tivesse esse dinheiro - vamos supor que tivéssemos essa sorte - seria preciso ver se queremos utilizá-lo em educação superior ou destiná-lo a outras necessidades como saúde e prensões". A economia chilena, assim como a de outros países latino-americanos, sofre atualmente com a queda do preço das commodities - no caso, do cobre.
A proposta da reforma educacional, que já passou por diversas idas e vindas, desgasta a imagem de Bachelet, que encerrou sua presidência (2006 - 2010) com um índice de aprovação superior a 80%, mas sofre com a impopularidade no atual mandato, que se iniciou em 2014. O projeto inicia agora sua tramitação na Câmara dos deputados sob a perspectiva de extensas discussões: o debate público sobre o tema está longe de um consenso.
Reforma depois dos protestos
A educação está no centro do debate nacional no Chile desde 2006, quando ocorreu uma grande mobilização de estudantes de ensino secundário, que apresentavam suas demandas a partir de paralisações e de protestos na rua. O movimento ficou conhecido como revolução dos pinguins, uma referência aos uniformes dos estudantes, e teve conquistas como a criação de um passe escolar nacional e a derrogação de leis impostas pela ditadura do general Augusto Pinochet (1973-1990) que ainda se mantinha em vigor.
No entanto, não foram tomadas medidas estruturais para reformar um sistema educacional cujos problemas são reflexo da alta desigualdade do país. Assim, em 2011, uma nova onda de protestos de estudantes tomou o país. Em sua essência, o movimento demandava maiores investimentos públicos na educação, setor dominado pela iniciativa privada no Chile.
Ao longo da última década, portanto, o governo teve que lidar com demandas estudantis. O governo de Bachelet já havia aprovado uma lei sobre a educação, que entrou em vigor em março de 2016. A presidente também retirou da pauta três leis sobre o tema propostas por seu antecessor, Sebastián Piñera.
A luta latino-americana
A luta pelo direito à educação na América Latina não se reduz ao Chile. No Brasil, em 2015 e em 2016 houveram movimentos de ocupações de escolas em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul. A luta dos chilenos inspirou aos estudantes brasileiros, que inclusive utilizaram manuais produzidos por aqueles com instruções sobre como ocupar as escolas.
Embora os alunos tenham demandas pontuais, como a investigação sobre os desvios da merenda, no caso de São Paulo, eles também pedem maiores investimentos para a educação. Embora a presidente afastada Dilma Rousseff tenha colocado como lema de governo de seu segundo mandato 'Pátria Educadora', o Ministério da Educação foi alcançado por cortes orçamentários em 2015 e em 2016, em um contexto de ajuste fiscal.
No México, uma manifestação de professores em greve foi duramente reprimida pela polícia federal no estado de Oaxaca. Nove pessoas foram mortas pela ação das forças de segurança. O país está agora em um impasse: os docentes, contrários a uma reforma educacional proposta pelo presidente Enrique Peña Nieto, bloqueam estradas nos estados de Chiapas e de Oaxaca. O governo se dispõe ao diálogo, mas impõe como condição o fim dos bloqueios.
Na terça-feira (5) milhares de estudantes protestaram em Santiago do Chile contra o projeto de reforma educacional que a presidenta Michelle Bachelet enviou ao Congresso Nacional no dia anterior (04 de julho). Os manifestantes foram contidos pela polícia quando tentavam se dirigirem ao Palácio de La Moneda, sede do governo, e houve confronto. Os órgãos de segurança justificaram a repressão pelo fato de que os estudantes não informaram previamente para as autoridades sobre o protesto.A Confederação de Estudantes do Chile - Confech, entidade representativa dos alunos, promete realizar outro protesto no próximo domingo (10). A luta estudantil no Chile, que já dura uma década, faz parte de um processo maior de demanda pelo direito à educação que se desenvolve na América Latina atualmente, em especial no Brasil e no México.
O projeto de Bachelet
A reforma educacional, promessa de campanha de Bachelet, prevê a gratuidade do ensino superior para todos, mas não estabelece um prazo para isso. Ela estende o custo zero para alunos selecionados com base em critérios sócioeconômicos de forma gradual até 2020. Depois disso, a gratuidade pode começar a valer para todos, mas será implementada a partir de um cálculo ligado ao crescimento do Produto Bruto Interno - PBI do país (PIB, em português). Ou seja, que na prática, a gratuidade passa a valer apenas se o Chile conseguir alcançar as metas de crescimento econômico.
A Confech denuncia que "o governo está conduzindo uma reforma que consolida o negócio de educação ao custo da educação pública como um direito". Os estudantes demandam a gratuidade da educação para todos e querem o fim do lucro das instituições privadas. Eles também pedem a renúncia da ministra de Educação, Adriana Delpiano.
Debate público
O governo afirma que a gratuidade imediata do ensino superior que pedem os estudantes custaria aos cofres públicos 3,5 bilhões de dólares. O ministro da Fazenda, Rodrigo Valdés, declarou que "se o Chile tivesse esse dinheiro - vamos supor que tivéssemos essa sorte - seria preciso ver se queremos utilizá-lo em educação superior ou destiná-lo a outras necessidades como saúde e prensões". A economia chilena, assim como a de outros países latino-americanos, sofre atualmente com a queda do preço das commodities - no caso, do cobre.
A proposta da reforma educacional, que já passou por diversas idas e vindas, desgasta a imagem de Bachelet, que encerrou sua presidência (2006 - 2010) com um índice de aprovação superior a 80%, mas sofre com a impopularidade no atual mandato, que se iniciou em 2014. O projeto inicia agora sua tramitação na Câmara dos deputados sob a perspectiva de extensas discussões: o debate público sobre o tema está longe de um consenso.
Reforma depois dos protestos
A educação está no centro do debate nacional no Chile desde 2006, quando ocorreu uma grande mobilização de estudantes de ensino secundário, que apresentavam suas demandas a partir de paralisações e de protestos na rua. O movimento ficou conhecido como revolução dos pinguins, uma referência aos uniformes dos estudantes, e teve conquistas como a criação de um passe escolar nacional e a derrogação de leis impostas pela ditadura do general Augusto Pinochet (1973-1990) que ainda se mantinha em vigor.
No entanto, não foram tomadas medidas estruturais para reformar um sistema educacional cujos problemas são reflexo da alta desigualdade do país. Assim, em 2011, uma nova onda de protestos de estudantes tomou o país. Em sua essência, o movimento demandava maiores investimentos públicos na educação, setor dominado pela iniciativa privada no Chile.
Ao longo da última década, portanto, o governo teve que lidar com demandas estudantis. O governo de Bachelet já havia aprovado uma lei sobre a educação, que entrou em vigor em março de 2016. A presidente também retirou da pauta três leis sobre o tema propostas por seu antecessor, Sebastián Piñera.
A luta latino-americana
A luta pelo direito à educação na América Latina não se reduz ao Chile. No Brasil, em 2015 e em 2016 houveram movimentos de ocupações de escolas em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul. A luta dos chilenos inspirou aos estudantes brasileiros, que inclusive utilizaram manuais produzidos por aqueles com instruções sobre como ocupar as escolas.
Embora os alunos tenham demandas pontuais, como a investigação sobre os desvios da merenda, no caso de São Paulo, eles também pedem maiores investimentos para a educação. Embora a presidente afastada Dilma Rousseff tenha colocado como lema de governo de seu segundo mandato 'Pátria Educadora', o Ministério da Educação foi alcançado por cortes orçamentários em 2015 e em 2016, em um contexto de ajuste fiscal.
No México, uma manifestação de professores em greve foi duramente reprimida pela polícia federal no estado de Oaxaca. Nove pessoas foram mortas pela ação das forças de segurança. O país está agora em um impasse: os docentes, contrários a uma reforma educacional proposta pelo presidente Enrique Peña Nieto, bloqueam estradas nos estados de Chiapas e de Oaxaca. O governo se dispõe ao diálogo, mas impõe como condição o fim dos bloqueios.
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terça-feira, 5 de julho de 2016
Lançamento do Livro: PRECONCEITO CONTRA A JUVENTUDE
Amigos e amigas,
Boa noite!
Apresento a voces um Livro novo que está em pré-lançamento!
Este livro tem como título PRECONCEITO CONTRA A JUVENTUDE e é organizado pelo Padre
Para adquirir o livro entrar em contato com a Editora Prismas no seguinte endereço:
INTRODUÇÃO
Um assunto difícil de abordar... ..........................7
Ensaio sobre o preconceito contra a juventude
Paulo F. Dalla Déa ..................................................... 11
Juventudes sob controle
José Luiz Possato Jr ................................................... 33
A gangue dos invisíveis: a “invisibilidade” da PJ na
Igreja Católica
Onivaldo Dyna ......................................................57
Preconceito Religioso no Amapá
Msc. Marcos Vinicius de Freitas Reis e Esp. Bruno Rafael
Machado Nascimento .............................................87
Testemunhos de jovens .................................. 117
“Alegra-te jovem na tua mocidade,
alegre-se o coração nos dias de tua mocidade
e anda pelos caminhos do teu coração e pela vista
dos teus olhos;
sabe porém que por todas essas coisas te dará
Deus o juízo.
Afasta a ira do teu coração e remove de tua carne
o mal,
porque adolescência e juventude são vaidades. ”
Eclesiastes 11, 10-11
Laísa Silva é formada em Psicologia e é membra da Pastoral da Juventude de Belo Horizonte. Tem 24 anos.
Guilherme Gutierrez tem 25 anos, é membro da Pastoral da Juventude de Belo Horizonte e trabalha no Colégio Santo Agostinho.
Marcos Vinícius é doutorando pela UFSCAR e professor universitário da Universidade Federal do Amapá (UNIFAP) do Curso de Graduação em Relações Internacionais.
Bruno Rafael é professor da rede de ensino do Estado do Amapá. Especialista em metodologia do ensino de História e Geografia; e especialista em ensino religioso.
José Possato Júnior é formado em Literatura, professor na rede estadual de ensino no RS e membro do CEBI. É mestrando em Bíblia pela Escola Superior de Teologia em São Leopoldo-RS.
Onivaldo Dyna é formado em Filosofia e Teologia. Fez mestrado na FAJE - Faculdade Jesuíta em Belo Horizonte MG. Foi coordenador da Pastoral de Juventude Nacional (CNBB), mora em Jales-SP.
Boa noite!
Apresento a voces um Livro novo que está em pré-lançamento!
Este livro tem como título PRECONCEITO CONTRA A JUVENTUDE e é organizado pelo Padre
Paulo F. Dalla-Déa, da Diocese de São Carlos/SP. Está sendo lançado pela Editora Prismas, de Curitiba/Paraná.
Neste livro tem um capítulo de minha autoria: A gangue dos invisíveis: a “invisibilidade” da PJ na Igreja
Católica. Abaixo partilho com vocês o Sumário e a Introdução do mesmo para ter uma visão de todos conjunto.
e também um amigo pejoteiro escreve outro capítulo: Juventudes sob controle - José Luiz Possato Jr
Para adquirir o livro entrar em contato com a Editora Prismas no seguinte endereço:
Editora Prismas Ltda.
agenteeditorial@editoraprismas.com.br
Rua Cel. Ottoni Maciel, 545 – Vila Izabel
Tel: (41) 3030-1962 – 3030-1964
Celular (41) 9828-0148
CEP.80320-000 - Curitiba, PR
O preço de cada exemplar é de R$ 28,00.
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PRECONCEITO CONTRA A JUVENTUDE
Paulo F. Dalla-Déa (Org.)
1ª Edição - Copyright© 2016 Editora Prismas
1ª Edição - Copyright© 2016 Editora Prismas
Sumário
INTRODUÇÃO
Um assunto difícil de abordar... ..........................7
Ensaio sobre o preconceito contra a juventude
Paulo F. Dalla Déa ..................................................... 11
Juventudes sob controle
José Luiz Possato Jr ................................................... 33
A gangue dos invisíveis: a “invisibilidade” da PJ na
Igreja Católica
Onivaldo Dyna ......................................................57
Preconceito Religioso no Amapá
Msc. Marcos Vinicius de Freitas Reis e Esp. Bruno Rafael
Machado Nascimento .............................................87
Testemunhos de jovens .................................. 117
INTRODUÇÃO
Um assunto difícil de abordar...
Um assunto difícil de abordar...
“Alegra-te jovem na tua mocidade,
alegre-se o coração nos dias de tua mocidade
e anda pelos caminhos do teu coração e pela vista
dos teus olhos;
sabe porém que por todas essas coisas te dará
Deus o juízo.
Afasta a ira do teu coração e remove de tua carne
o mal,
porque adolescência e juventude são vaidades. ”
Eclesiastes 11, 10-11
A Bíblia é um livro fenomenal. Recorde de edições, de traduções e
de leitores, nunca houve um livro tão lido e que fizesse tanta diferença na vida
de tanta gente.... Extraordinário para o bem e para o mal. Hoje, conflitos
entre povos ainda são inspirados pela Bíblia: conflitos entre católicos e protestantes
na Irlanda; entre judeus e palestinos na Terra Santa (deve ser chamada assim
pelos inúmeros mártires de todos os lados que lá tombaram em nome da fé) e
muitos outros, tanto hoje como ontem (receio que amanhã também, mas queria crer
que não).
Contudo, pela citação de Eclesiastes, podemos ver que o que valia mesmo na época da escritura do Eclesiastes era a idade avançada. Não sou biblista e não vou me aventurar pelos caminhos tortuosos e técnicos da exegese e da crítica textual ou da historiografia e da história da composição do texto. Se quiser, o leitor poderá acompanhar essa discussão técnica em outros livros e textos. Estou aqui para falar um pouco dos preconceitos sobre a juventude. Essa pretende ser uma obra coletiva, recolhendo textos meus e de alguns amigos, jovens autores, sobre o tema.
Juventude é sempre um tema carregado de emoção: ou porque as pessoas tendem a idealizar o jovem como algo sempre bom (como as propagandas de refrigerantes e de roupas) ou tendem a projetar sobre ele as frustrações de sua época que não foram bem resolvidas. Dificilmente o olhar é sereno sobre o assunto. Pior ainda se falar sobre
adolescência.... Aí o assunto tende sempre a sair dos trilhos, para o bem e para o mal, sem se dar conta que a projeção é um mecanismo psicológico bastante traiçoeiro.
O presente texto não pretende ser totalmente acadêmico, mas contribuir para uma discussão que tem um viés prático-pastoral. Entre os colaboradores temos acadêmicos e jovens que vivem na pele de suas opções vitais o compromisso com a juventude. Não se pode apenas discutir de fora um tema: a neutralidade científica absoluta é um mito já desmascarado há décadas, já no século XX.
Por isso, gostaria de apresentar os autores do texto, alguns são acadêmicos, outras trabalham com a Pastoral e já foram assessores da CNBB, outros são carismáticos e todos são interessados no tema.
Contudo, pela citação de Eclesiastes, podemos ver que o que valia mesmo na época da escritura do Eclesiastes era a idade avançada. Não sou biblista e não vou me aventurar pelos caminhos tortuosos e técnicos da exegese e da crítica textual ou da historiografia e da história da composição do texto. Se quiser, o leitor poderá acompanhar essa discussão técnica em outros livros e textos. Estou aqui para falar um pouco dos preconceitos sobre a juventude. Essa pretende ser uma obra coletiva, recolhendo textos meus e de alguns amigos, jovens autores, sobre o tema.
Juventude é sempre um tema carregado de emoção: ou porque as pessoas tendem a idealizar o jovem como algo sempre bom (como as propagandas de refrigerantes e de roupas) ou tendem a projetar sobre ele as frustrações de sua época que não foram bem resolvidas. Dificilmente o olhar é sereno sobre o assunto. Pior ainda se falar sobre
adolescência.... Aí o assunto tende sempre a sair dos trilhos, para o bem e para o mal, sem se dar conta que a projeção é um mecanismo psicológico bastante traiçoeiro.
O presente texto não pretende ser totalmente acadêmico, mas contribuir para uma discussão que tem um viés prático-pastoral. Entre os colaboradores temos acadêmicos e jovens que vivem na pele de suas opções vitais o compromisso com a juventude. Não se pode apenas discutir de fora um tema: a neutralidade científica absoluta é um mito já desmascarado há décadas, já no século XX.
Por isso, gostaria de apresentar os autores do texto, alguns são acadêmicos, outras trabalham com a Pastoral e já foram assessores da CNBB, outros são carismáticos e todos são interessados no tema.
Laísa Silva é formada em Psicologia e é membra da Pastoral da Juventude de Belo Horizonte. Tem 24 anos.
Guilherme Gutierrez tem 25 anos, é membro da Pastoral da Juventude de Belo Horizonte e trabalha no Colégio Santo Agostinho.
Marcos Vinícius é doutorando pela UFSCAR e professor universitário da Universidade Federal do Amapá (UNIFAP) do Curso de Graduação em Relações Internacionais.
Bruno Rafael é professor da rede de ensino do Estado do Amapá. Especialista em metodologia do ensino de História e Geografia; e especialista em ensino religioso.
José Possato Júnior é formado em Literatura, professor na rede estadual de ensino no RS e membro do CEBI. É mestrando em Bíblia pela Escola Superior de Teologia em São Leopoldo-RS.
Onivaldo Dyna é formado em Filosofia e Teologia. Fez mestrado na FAJE - Faculdade Jesuíta em Belo Horizonte MG. Foi coordenador da Pastoral de Juventude Nacional (CNBB), mora em Jales-SP.
Se – ao se falar sobre um tema – se deve tomar distância teórica
para se ver com mais objetividade, distanciar-se demais do tema poderá
desenraizar e tirar o substrato que dá relevância ao tema. A alternância de
distância e enraizamento é difícil, mas é totalmente necessária. Olhar o
horizonte sem perder de vista as raízes e os compromissos históricos é
absolutamente coerente com o tema a ser estudado aqui. Por isso, queremos
empreender esse caminho metodológico. Esperamos dar novas luzes sobre um tema
tão desfocado na Teologia e na prática de algumas comunidades.
Como última palavra, quero acrescentar que o livro não tem conclusão, pois o tema é vivo e não tem fechamento, conclusão ou coisa do tipo. O presente texto quer contribuir modestamente com a discussão, dando possibilidades novas para uma discussão velha e - às vezes - rançosa.
Boa leitura e boa reflexão! Se puder, entre em contato com os autores, gostaremos de um feedback.
Como última palavra, quero acrescentar que o livro não tem conclusão, pois o tema é vivo e não tem fechamento, conclusão ou coisa do tipo. O presente texto quer contribuir modestamente com a discussão, dando possibilidades novas para uma discussão velha e - às vezes - rançosa.
Boa leitura e boa reflexão! Se puder, entre em contato com os autores, gostaremos de um feedback.
Paulo
Dalla-Déa
A gangue dos invisíveis: a “invisibilidade” da PJ na Igreja
Católica
Onivaldo Dyna ......................................................57
Onivaldo Dyna ......................................................57
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testemunhos de jovens
quinta-feira, 24 de março de 2016
Amigos e amigas....
abaixo segue a Homilia de Quinta-feira Santa pronunciada pelo Bispo Monsenhor Leonidas Proaño no de 1980.
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O Povo te fez Santo.
Neste dia, 24 de março de 1980, 36 anos atrás, Mons. Oscar Arnulfo Romero, deu sua vida em defesa dos direitos dos mais pobres e excluídos pela sociedade dominante.
Nós todos queremos que sua memória seja mantida viva e, especialmente, a sua mensagem e sua palavra seja praticada, já que esta é a melhor maneira de retribuir o legado enorme e profundo de Mons. Romero e todos os inúmeros mártires que deram suas vidas em defesa doa direitos.
Mons. Romero vive na memória do nosso povo.
Abaixo compartilho a Homilia Quinta-feira Santa pronunciada por Mons. Leonidas Proaño.
fraternalmente
Surimana
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HOMILIA DE JUEVES SANTO Mons. Leonidas Proaño, 1980
Hermanos: Durante unos breves minutos más yo voy a hacer unas reflexiones tomando el Evangelio en nuestras manos, el que hemos leído, pero antes de hacerlo quiero hacer un breve relato primero de la muerte de Mons. Óscar Arnulfo Romero, y luego, de los acontecimientos de los cuales fui testigo el último domingo.
Mons. Óscar Romero fue asesinado en la Capilla del Hospital La Providencia de San Salvador mientras decía la Misa en recuerdo, en memoria de una señora que había sido también asesinada. Dos años de su muerte.
Pronunciaba su homilía, acababa de pronunciarla, se disponía a hacer el ofertorio. Qué mejor ofertorio que éste de su vida. Sonó un disparo certero, le llegó directo al corazón. Y cayó desplomado. Muerte instantánea. Ríos de sangre brotaron por su boca, por sus narices y aún por sus ojos.
He estado en la capilla en donde fue asesinado, y allí se exhiben diversas fotografías, porque por coincidencia estaba un fotógrafo allí y pudo tomar toda una secuencia de fotografías del acontecimiento.
El asesino huyó de inmediato y no pudo ser capturado, ni siquiera reconocido. Por esta razón en la declaración que hicimos y firmamos todos los Obispos que estuvimos reunidos allá, hemos dicho que la Misa de Mons. Romero es una Misa inacabada, inconclusa. Y nos hemos comprometido a terminar esa Misa, a llevar a nuestros pueblos la misma voz que él llevó a su pueblo salvadoreño. La misma voz del Evangelio. La misma voz del amor que es capaz de entregar la vida, para concluir su Misa.
Luego, ¿de qué fui testigo el domingo último? Se organizó la procesión de Ramos desde la basílica del Divino Corazón hasta la Catedral, distancia unas diez cuadras. La procesión transcurrió sin ningún incidente. La Misa se empezó de inmediato en el atrio mismo de la Catedral que daba frente a la Plaza Barrios. La gente, el pueblo colmaba la Plaza. El Cardenal Corripio Ahumada, cardenal mexicano, fue delegado por el Papa para representarlo ante la Iglesia de El Salvador en los funerales y en el sepelio.
Y, en nombre del Papa Juan Pablo II, el Cardenal estaba pronunciando su homilía, estaba exaltando la figura de Mons. Romero como hombre que siguió a Jesús, como hombre que sintió en el fondo de su corazón el amor al pobre, el amor a la persona que sufre. Estaba exaltando la figura de Mons. Romero y diciendo que él se comprometió con la justicia, con los pobres, que fue un hombre coherente, es decir, que lo que él pronunciaba y proclamaba con las palabras lo vivía con los hechos, con las obras, desafiando todas las amenazas de que había sido ya víctima en tantas otras épocas anteriores.
Eso iba diciendo el Cardenal Corripio, cuando una bomba explotó en una de las esquinas de la Plaza, delante del Palacio Nacional, mientras desfilaba un grueso concurso de gentes de lo que allá llaman la Coordinadora de Masas y mientras el pueblo estaba, como estáis vosotros aquí, congregados frente al templo de la Catedral.
Fue, queridos hermanos, algo espantoso, algo que no se me borrará de la memoria y de la imaginación. Ver, desde las gradas de la Catedral, como esa muchedumbre empezó a moverse, a imagen de cómo se mueve el mar cuando está muy agitado, en búsqueda de un refugio.
En un primer momento, quiso buscar un escape por la esquina derecha de la Catedral, pero, tan pronto como se dirigía esta masa en esa dirección, otra bomba en esa esquina, amedrentó a la gente que se volvió hacia atrás, produciendo como podréis comprender vosotros un desorden extraordinario, y era un solo alarido el que subía desde la plaza. Buscó otra salida por la otra esquina y una nueva bomba y disparos de ametralladora y de fusil cerraban todas las puertas.
Por las cuatro esquinas quiso salir el pueblo y se le cerraron las puertas. Entonces, desde la Catedral se les llamó para que se refugiaran por lo menos cuantos pudieran en ella. En la Catedral por grande que es no había espacio necesario para dar cabida, para dar refugio a tantas decenas de miles que se habían congregado allí. Fue algo horrible. Murieron tanto por el impacto de las balas, por las esquirlas de las bombas, como también pisoteados, ahogados por ese vaivén de la muchedumbre.
A tres metros de distancia de donde yo estaba, ya dentro de la Catedral, murió una señora de un ataque al corazón, en fila se pusieron en ese mismo momento once muertos. Y después, subió a más alto número el de muertos ocurridos en ese tremendo día.
Teniendo presentes estos hechos. Aquí tenemos otra misa inacabada. Se interrumpió la homilía del representante del Papa, se interrumpió la Misa. No fue posible darle sepultura con la Misa, sino simplemente, un responso en medio de ese gran desorden, de ese caos que se produjo allí. Dos misas inacabadas, dos misas inconclusas. Se ha llegado al sacrificio, se ha muerto a mucha gente en este último domingo. Tenemos que concluir esa Misa no solamente en el acto litúrgico, en el acto de culto, sino viviendo nuestra fe, comprometiéndonos a amar a nuestros hermanos, comprometiéndonos a establecer una sociedad nueva, una sociedad justa, una sociedad más humana tal como vienen clamando los Papas, los últimos pontífices de la Iglesia.
Después de esto tomamos pocas palabras del Evangelio. Hemos escuchado este trozo: Antes de la fiesta de Pascua, sabiendo Jesús que había llegado la hora de salir de este mundo al Padre, amó a los suyos que quedaban en el mundo y los amó hasta el extremo.
Sabía Jesús, en un Jueves como hoy, que había llegado la hora de salir de este mundo. Era la víspera de su sacrificio. ¡Qué coincidencias las que estamos viviendo! Pero quiero destacar tres palabras: Habla aquí de los suyos. Amó a los suyos. ¿Quiénes eran los suyos en relación con Jesús? Sus apóstoles: Pedro, Juan, Santiago, Bartolomé y todos los demás, estos eran los suyos. Los suyos: su madre. Los suyos: las mujeres que lo acompañaron en su peregrinaje de proclamación de la Buena Nueva. Los suyos: los pobres, aquellos a quienes había curado de tantas enfermedades. Los suyos: todos aquellos a quienes resucitó, a quienes devolvió la vida. Los suyos: todos aquellos a quienes liberó del temor y del pecado. Estos eran los suyos.
Y dice el Evangelio “los amó”, “amó a los suyos”. Quiere decir que todos estos que he señalado eran los amigos de Jesús, eran aquellos a quienes Jesús mismo dijo: Ya no os llamaré siervos, os llamaré amigos porque os he revelado todos los secretos de mi Padre. Solamente al amigo se le revela los secretos, los secretos del Padre había revelado Jesús a sus amigos. Los apóstoles eran gente pobre, eran gente humilde, estos eran sus amigos, a ellos había revelado los secretos del Padre. Ellos conocían al Padre habiendo conocido a Jesús. Felipe: el que me ve a Mí, ve al Padre. Vivían realmente en la intimidad del misterio de Dios, en la intimidad del corazón de Cristo, estos amigos suyos.
Y destaco la otra frase, la otra palabra: los amó hasta el extremo. ¿Hasta qué extremo? Hasta el extremo de dar la vida. Ya Él había dicho una vez: No hay amor más grande que aquel de quien da la vida por sus amigos. Y Él dio la vida por sus amigos.
Mañana mismo vamos a actualizar el misterio de la muerte de Cristo por sus amigos. En relación con los acontecimientos que nos han congregado en esta tarde aquí.
Fui amigo de Mons. Romero. Se tejieron lazos de amistad, de fraternidad entre la Iglesia de Riobamba y la Iglesia de San Salvador, desde años atrás. Estuvimos juntos en Puebla. Luchamos dentro de la Conferencia hombro con hombro. Estuvo aquí un sacerdote jesuita que trabajó en su diócesis: Rutilio Grande y aquí, en la experiencia que tuvo en el trabajo con las comunidades campesinas aprendió también a sacrificarse. Y él fue asesinado también por la espalda, junto con dos campesinos, mientras se dirigía a celebrar la Misa. Y esta muerte de Rutilio Grande impactó profundamente en la vida de Mons. Romero y se comprometió desde entonces más a fondo con el pueblo, con los pobres, con la justicia.
Los suyos, los de Mons. Romero: los campesinos, los pobres, los que no tenían voz. Él hablaba cada domingo para denunciar valientemente, con nombres concretos de lugares y de personas, todos los asesinatos que se estaban cometiendo, todas las represiones que se realizaban en contra de humildes campesinos, en contra de los trabajadores. Esos fueron sus amigos. Los amó. Y porque los amó y los amó entrañablemente les entregó su corazón, les entregó su cabeza, les entregó su vida y les entregó en esa denuncia a que he hecho referencia, en ese acercamiento, podían los campesinos, podían los pobres, podían los trabajadores acercarse hasta él con toda confianza para decirle: esto está sucediendo con nosotros, aquí ha sido asesinado mi hijo, acá ha sido asesinado mi hermano, esta es la situación de nuestro recinto, de nuestra comunidad, nos han echado de nuestras casas, han abaleado a una manifestación, y él, mientras los medios de comunicación colectiva estaban acallados por la amenaza y por el terror, él levantó siempre su voz con valentía para denunciar ante el mundo entero lo que estaba sucediendo en el interior de su país. Porque los amó. Amó a los suyos.
Y tanto los amó. Los amó hasta el extremo, como Jesús. Hasta dar su vida. Ya había recibido amenazas de muerte. Cuando llegó a Puebla ya escuchamos que le habían amenazado de muerte y que no podría volver a su país, pero volvió.
Quince días antes habían colocado en la Catedral desde donde él hablaba por radio, y era retransmitida su alocución a través de una potente radio y se le podía escuchar aquí y en la Argentina y en otros países, habló con una constancia grande, con una serenidad grande, con un amor grande, con una valentía muy grande. Y allí se le había colocado una carga de dinamita capaz de volar toda la manzana en donde estaba la Catedral. Si esa bomba de dinamita hubiera explotado habría habido que lamentar centenares o tal vez millares de muertos porque muchísima gente acudía a escucharle sus homilías largas y denunciadoras. Viendo que les fracasó este último intento parece que pagaron a un criminal avezado y le clavaron la bala en su corazón. Por eso, creo que no es exagerado llamarle como le hemos llamado profeta y mártir. Profeta de nuestros tiempos, mártir de nuestros tiempos. No fue un líder político, no fue un hombre que luchó por ambiciones personales. Fue un hombre que luchó por la justicia. Fue un hombre que luchó por el Evangelio. Fue un hombre que no dejó, que no permitió, que no cedió el puesto de un cristiano auténtico que siguió al pie de la letra las enseñanzas de Cristo. Por eso, profeta y mártir de nuestra América Latina. Profeta y mártir del hermano pueblo de El Salvador.
Quiero terminar hermanos para continuar con el sacrificio eucarístico, haciendo simplemente unas preguntas, unas preguntas que querría yo fueran cuestionadoras de nuestra vida, fueran curativas de lo que pudiéramos tener de egoísmo, de cobardía, de timidez antievangélica. Preguntémonos y contestémonos en nuestro interior. A ejemplo de Jesús, ¿quiénes son los nuestros?, ¿a quiénes podemos llamar los nuestros, los míos?, ¿son los pobres?, ¿son los compadres ricos?, ¿son los poderosos?, ¿son las palancas?
Si nosotros tenemos que seguir las huellas de Jesús: preguntémonos. Él llamó los míos, el Evangelio dice “los suyos”, a sus apóstoles extraídos de entre el pueblo pobre, a los pobres que Él curó, a los pobres que Él defendió. Estos eran los suyos, los de Jesús.
Nosotros, cristianos, ¿a quiénes podemos llamar los nuestros? Es cuestión de opción. Segunda serie de preguntas, que van por el mismo camino. ¿A quiénes llamamos nosotros nuestros amigos? ¿Nos honramos mucho, nos gloriamos de tener por amigos a personas influyentes? O, ¿hemos convertido en nuestros amigos a los pobres?, ¿a los niños desarrapados?, ¿a los cargadores que por su misma presencia, aquí en la ciudad, denuncian un sistema de injusticia en que vivimos?, ¿a los pobres, a los demacrados, a los que no tienen pan para comer todos los días, a los que no tienen trabajo, a los betuneros, a los que aun cuando trabajen no les alcanza para poder sostener a su familia, a sus hijos? ¿Les llamamos amigos a éstos? ¿Son en realidad nuestros amigos?
Y la última serie de preguntas: Nosotros, todos y cada uno de los que estamos aquí presentes, sin palabrerías, sin vanidades, sin exhibicionismos, ¿estamos dispuestos a dar qué a favor de los nuestros, a favor de nuestros amigos? ¿Qué les vamos a dar? ¿Estamos dispuestos a dar de lo que tenemos? Puede ser que haya mucha gente… el pueblo de Riobamba y el pueblo de Chimborazo es muy generoso, está dispuesto a dar de lo que tiene. Sea el momento de agradecer por la generosidad con la que prestamos nuestra ayuda al pueblo de Nicaragua en dos ocasiones y últimamente también al pueblo salvadoreño. Sí, es generoso. Pero, ¿será suficiente dar una partecita de nuestra pobreza? ¿Será suficiente dar una ayuda esporádica? O, ¿qué más tendremos que dar?.
Cristo empezó dando su mensaje, mensaje de salvación, mensaje de liberación, la Buena Noticia, la Buena Nueva, para eso vino a la tierra. El cristiano está en la obligación de recibir también esta misión de llevar el mensaje a sus hermanos, de enseñar ese mensaje de Cristo, ese mensaje de salvación, el auténtico mensaje de salvación, ese que está destinado a liberar a los hombres de todas las cadenas, porque está destinado a ser libre.
Ese mensaje, tenemos la obligación de llevarlo, de dárselo a nuestros hermanos, de multiplicar por lo mismo, las organizaciones, las comunidades eclesiales de base, todo tipo de organización, al seno de las cuales podamos llevar este mensaje de Cristo.
Tenemos que dar, dar el mensaje, pero algo más, ¿qué más? Darnos nosotros mismos, dar de nuestro tiempo, dar de nuestra vida, de nuestras preocupaciones, no encerrarnos en nuestro egoísmo, no movernos únicamente dentro de nuestra capa, no, mirar hacia fuera, contemplar, descubrir, compartiendo las angustias, las incertidumbres, la pobreza, los dolores de tantos hermanos nuestros. ¡Démonos! ¡Demos el corazón! ¡Demos nuestro amor a nuestros hermanos!
El mandamiento del amor es el mandamiento fundamental del cristiano, esa es la única garantía de que somos de verdad cristianos, si amamos al prójimo, si amamos a nuestros hermanos, con un amor grande. No vamos a predicar el odio, no, es el amor, este es el objeto de nuestra preocupación, como cristianos tenemos que amar y si es necesario como consecuencia de todo lo dicho, dar la vida, dar la vida por nuestros hermanos, entregar esto que más apreciamos, a lo que más está apegado nuestro corazón, la vida, como Cristo, como tantos otros mártires de América Latina en nuestros últimos tiempos, como este profeta y mártir de El Salvador, Mons. Óscar Arnulfo Romero.
Que el Señor, que Jesús, nuestro Salvador, nuestro Liberador, con toda su luz, con toda su fuerza esté en cada una de las vidas de ustedes, en cada uno de los corazones de ustedes y que ustedes sepan corresponder a este llamado que hace el mismo Señor Jesús a todos cuantos nos llamamos cristianos, demos, démonos, entreguemos nuestra misma vida.
FUNDACIÓN PUEBLO INDIO DEL ECUADOR
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THIESCO CRISÓSTOMO
abaixo segue a Homilia de Quinta-feira Santa pronunciada pelo Bispo Monsenhor Leonidas Proaño no de 1980.
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O Povo te fez Santo.
Neste dia, 24 de março de 1980, 36 anos atrás, Mons. Oscar Arnulfo Romero, deu sua vida em defesa dos direitos dos mais pobres e excluídos pela sociedade dominante.
Nós todos queremos que sua memória seja mantida viva e, especialmente, a sua mensagem e sua palavra seja praticada, já que esta é a melhor maneira de retribuir o legado enorme e profundo de Mons. Romero e todos os inúmeros mártires que deram suas vidas em defesa doa direitos.
Mons. Romero vive na memória do nosso povo.
Abaixo compartilho a Homilia Quinta-feira Santa pronunciada por Mons. Leonidas Proaño.
fraternalmente
Surimana
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HOMILIA DE JUEVES SANTO Mons. Leonidas Proaño, 1980
Hermanos: Durante unos breves minutos más yo voy a hacer unas reflexiones tomando el Evangelio en nuestras manos, el que hemos leído, pero antes de hacerlo quiero hacer un breve relato primero de la muerte de Mons. Óscar Arnulfo Romero, y luego, de los acontecimientos de los cuales fui testigo el último domingo.
Mons. Óscar Romero fue asesinado en la Capilla del Hospital La Providencia de San Salvador mientras decía la Misa en recuerdo, en memoria de una señora que había sido también asesinada. Dos años de su muerte.
Pronunciaba su homilía, acababa de pronunciarla, se disponía a hacer el ofertorio. Qué mejor ofertorio que éste de su vida. Sonó un disparo certero, le llegó directo al corazón. Y cayó desplomado. Muerte instantánea. Ríos de sangre brotaron por su boca, por sus narices y aún por sus ojos.
He estado en la capilla en donde fue asesinado, y allí se exhiben diversas fotografías, porque por coincidencia estaba un fotógrafo allí y pudo tomar toda una secuencia de fotografías del acontecimiento.
El asesino huyó de inmediato y no pudo ser capturado, ni siquiera reconocido. Por esta razón en la declaración que hicimos y firmamos todos los Obispos que estuvimos reunidos allá, hemos dicho que la Misa de Mons. Romero es una Misa inacabada, inconclusa. Y nos hemos comprometido a terminar esa Misa, a llevar a nuestros pueblos la misma voz que él llevó a su pueblo salvadoreño. La misma voz del Evangelio. La misma voz del amor que es capaz de entregar la vida, para concluir su Misa.
Luego, ¿de qué fui testigo el domingo último? Se organizó la procesión de Ramos desde la basílica del Divino Corazón hasta la Catedral, distancia unas diez cuadras. La procesión transcurrió sin ningún incidente. La Misa se empezó de inmediato en el atrio mismo de la Catedral que daba frente a la Plaza Barrios. La gente, el pueblo colmaba la Plaza. El Cardenal Corripio Ahumada, cardenal mexicano, fue delegado por el Papa para representarlo ante la Iglesia de El Salvador en los funerales y en el sepelio.
Y, en nombre del Papa Juan Pablo II, el Cardenal estaba pronunciando su homilía, estaba exaltando la figura de Mons. Romero como hombre que siguió a Jesús, como hombre que sintió en el fondo de su corazón el amor al pobre, el amor a la persona que sufre. Estaba exaltando la figura de Mons. Romero y diciendo que él se comprometió con la justicia, con los pobres, que fue un hombre coherente, es decir, que lo que él pronunciaba y proclamaba con las palabras lo vivía con los hechos, con las obras, desafiando todas las amenazas de que había sido ya víctima en tantas otras épocas anteriores.
Eso iba diciendo el Cardenal Corripio, cuando una bomba explotó en una de las esquinas de la Plaza, delante del Palacio Nacional, mientras desfilaba un grueso concurso de gentes de lo que allá llaman la Coordinadora de Masas y mientras el pueblo estaba, como estáis vosotros aquí, congregados frente al templo de la Catedral.
Fue, queridos hermanos, algo espantoso, algo que no se me borrará de la memoria y de la imaginación. Ver, desde las gradas de la Catedral, como esa muchedumbre empezó a moverse, a imagen de cómo se mueve el mar cuando está muy agitado, en búsqueda de un refugio.
En un primer momento, quiso buscar un escape por la esquina derecha de la Catedral, pero, tan pronto como se dirigía esta masa en esa dirección, otra bomba en esa esquina, amedrentó a la gente que se volvió hacia atrás, produciendo como podréis comprender vosotros un desorden extraordinario, y era un solo alarido el que subía desde la plaza. Buscó otra salida por la otra esquina y una nueva bomba y disparos de ametralladora y de fusil cerraban todas las puertas.
Por las cuatro esquinas quiso salir el pueblo y se le cerraron las puertas. Entonces, desde la Catedral se les llamó para que se refugiaran por lo menos cuantos pudieran en ella. En la Catedral por grande que es no había espacio necesario para dar cabida, para dar refugio a tantas decenas de miles que se habían congregado allí. Fue algo horrible. Murieron tanto por el impacto de las balas, por las esquirlas de las bombas, como también pisoteados, ahogados por ese vaivén de la muchedumbre.
A tres metros de distancia de donde yo estaba, ya dentro de la Catedral, murió una señora de un ataque al corazón, en fila se pusieron en ese mismo momento once muertos. Y después, subió a más alto número el de muertos ocurridos en ese tremendo día.
Teniendo presentes estos hechos. Aquí tenemos otra misa inacabada. Se interrumpió la homilía del representante del Papa, se interrumpió la Misa. No fue posible darle sepultura con la Misa, sino simplemente, un responso en medio de ese gran desorden, de ese caos que se produjo allí. Dos misas inacabadas, dos misas inconclusas. Se ha llegado al sacrificio, se ha muerto a mucha gente en este último domingo. Tenemos que concluir esa Misa no solamente en el acto litúrgico, en el acto de culto, sino viviendo nuestra fe, comprometiéndonos a amar a nuestros hermanos, comprometiéndonos a establecer una sociedad nueva, una sociedad justa, una sociedad más humana tal como vienen clamando los Papas, los últimos pontífices de la Iglesia.
Después de esto tomamos pocas palabras del Evangelio. Hemos escuchado este trozo: Antes de la fiesta de Pascua, sabiendo Jesús que había llegado la hora de salir de este mundo al Padre, amó a los suyos que quedaban en el mundo y los amó hasta el extremo.
Sabía Jesús, en un Jueves como hoy, que había llegado la hora de salir de este mundo. Era la víspera de su sacrificio. ¡Qué coincidencias las que estamos viviendo! Pero quiero destacar tres palabras: Habla aquí de los suyos. Amó a los suyos. ¿Quiénes eran los suyos en relación con Jesús? Sus apóstoles: Pedro, Juan, Santiago, Bartolomé y todos los demás, estos eran los suyos. Los suyos: su madre. Los suyos: las mujeres que lo acompañaron en su peregrinaje de proclamación de la Buena Nueva. Los suyos: los pobres, aquellos a quienes había curado de tantas enfermedades. Los suyos: todos aquellos a quienes resucitó, a quienes devolvió la vida. Los suyos: todos aquellos a quienes liberó del temor y del pecado. Estos eran los suyos.
Y dice el Evangelio “los amó”, “amó a los suyos”. Quiere decir que todos estos que he señalado eran los amigos de Jesús, eran aquellos a quienes Jesús mismo dijo: Ya no os llamaré siervos, os llamaré amigos porque os he revelado todos los secretos de mi Padre. Solamente al amigo se le revela los secretos, los secretos del Padre había revelado Jesús a sus amigos. Los apóstoles eran gente pobre, eran gente humilde, estos eran sus amigos, a ellos había revelado los secretos del Padre. Ellos conocían al Padre habiendo conocido a Jesús. Felipe: el que me ve a Mí, ve al Padre. Vivían realmente en la intimidad del misterio de Dios, en la intimidad del corazón de Cristo, estos amigos suyos.
Y destaco la otra frase, la otra palabra: los amó hasta el extremo. ¿Hasta qué extremo? Hasta el extremo de dar la vida. Ya Él había dicho una vez: No hay amor más grande que aquel de quien da la vida por sus amigos. Y Él dio la vida por sus amigos.
Mañana mismo vamos a actualizar el misterio de la muerte de Cristo por sus amigos. En relación con los acontecimientos que nos han congregado en esta tarde aquí.
Fui amigo de Mons. Romero. Se tejieron lazos de amistad, de fraternidad entre la Iglesia de Riobamba y la Iglesia de San Salvador, desde años atrás. Estuvimos juntos en Puebla. Luchamos dentro de la Conferencia hombro con hombro. Estuvo aquí un sacerdote jesuita que trabajó en su diócesis: Rutilio Grande y aquí, en la experiencia que tuvo en el trabajo con las comunidades campesinas aprendió también a sacrificarse. Y él fue asesinado también por la espalda, junto con dos campesinos, mientras se dirigía a celebrar la Misa. Y esta muerte de Rutilio Grande impactó profundamente en la vida de Mons. Romero y se comprometió desde entonces más a fondo con el pueblo, con los pobres, con la justicia.
Los suyos, los de Mons. Romero: los campesinos, los pobres, los que no tenían voz. Él hablaba cada domingo para denunciar valientemente, con nombres concretos de lugares y de personas, todos los asesinatos que se estaban cometiendo, todas las represiones que se realizaban en contra de humildes campesinos, en contra de los trabajadores. Esos fueron sus amigos. Los amó. Y porque los amó y los amó entrañablemente les entregó su corazón, les entregó su cabeza, les entregó su vida y les entregó en esa denuncia a que he hecho referencia, en ese acercamiento, podían los campesinos, podían los pobres, podían los trabajadores acercarse hasta él con toda confianza para decirle: esto está sucediendo con nosotros, aquí ha sido asesinado mi hijo, acá ha sido asesinado mi hermano, esta es la situación de nuestro recinto, de nuestra comunidad, nos han echado de nuestras casas, han abaleado a una manifestación, y él, mientras los medios de comunicación colectiva estaban acallados por la amenaza y por el terror, él levantó siempre su voz con valentía para denunciar ante el mundo entero lo que estaba sucediendo en el interior de su país. Porque los amó. Amó a los suyos.
Y tanto los amó. Los amó hasta el extremo, como Jesús. Hasta dar su vida. Ya había recibido amenazas de muerte. Cuando llegó a Puebla ya escuchamos que le habían amenazado de muerte y que no podría volver a su país, pero volvió.
Quince días antes habían colocado en la Catedral desde donde él hablaba por radio, y era retransmitida su alocución a través de una potente radio y se le podía escuchar aquí y en la Argentina y en otros países, habló con una constancia grande, con una serenidad grande, con un amor grande, con una valentía muy grande. Y allí se le había colocado una carga de dinamita capaz de volar toda la manzana en donde estaba la Catedral. Si esa bomba de dinamita hubiera explotado habría habido que lamentar centenares o tal vez millares de muertos porque muchísima gente acudía a escucharle sus homilías largas y denunciadoras. Viendo que les fracasó este último intento parece que pagaron a un criminal avezado y le clavaron la bala en su corazón. Por eso, creo que no es exagerado llamarle como le hemos llamado profeta y mártir. Profeta de nuestros tiempos, mártir de nuestros tiempos. No fue un líder político, no fue un hombre que luchó por ambiciones personales. Fue un hombre que luchó por la justicia. Fue un hombre que luchó por el Evangelio. Fue un hombre que no dejó, que no permitió, que no cedió el puesto de un cristiano auténtico que siguió al pie de la letra las enseñanzas de Cristo. Por eso, profeta y mártir de nuestra América Latina. Profeta y mártir del hermano pueblo de El Salvador.
Quiero terminar hermanos para continuar con el sacrificio eucarístico, haciendo simplemente unas preguntas, unas preguntas que querría yo fueran cuestionadoras de nuestra vida, fueran curativas de lo que pudiéramos tener de egoísmo, de cobardía, de timidez antievangélica. Preguntémonos y contestémonos en nuestro interior. A ejemplo de Jesús, ¿quiénes son los nuestros?, ¿a quiénes podemos llamar los nuestros, los míos?, ¿son los pobres?, ¿son los compadres ricos?, ¿son los poderosos?, ¿son las palancas?
Si nosotros tenemos que seguir las huellas de Jesús: preguntémonos. Él llamó los míos, el Evangelio dice “los suyos”, a sus apóstoles extraídos de entre el pueblo pobre, a los pobres que Él curó, a los pobres que Él defendió. Estos eran los suyos, los de Jesús.
Nosotros, cristianos, ¿a quiénes podemos llamar los nuestros? Es cuestión de opción. Segunda serie de preguntas, que van por el mismo camino. ¿A quiénes llamamos nosotros nuestros amigos? ¿Nos honramos mucho, nos gloriamos de tener por amigos a personas influyentes? O, ¿hemos convertido en nuestros amigos a los pobres?, ¿a los niños desarrapados?, ¿a los cargadores que por su misma presencia, aquí en la ciudad, denuncian un sistema de injusticia en que vivimos?, ¿a los pobres, a los demacrados, a los que no tienen pan para comer todos los días, a los que no tienen trabajo, a los betuneros, a los que aun cuando trabajen no les alcanza para poder sostener a su familia, a sus hijos? ¿Les llamamos amigos a éstos? ¿Son en realidad nuestros amigos?
Y la última serie de preguntas: Nosotros, todos y cada uno de los que estamos aquí presentes, sin palabrerías, sin vanidades, sin exhibicionismos, ¿estamos dispuestos a dar qué a favor de los nuestros, a favor de nuestros amigos? ¿Qué les vamos a dar? ¿Estamos dispuestos a dar de lo que tenemos? Puede ser que haya mucha gente… el pueblo de Riobamba y el pueblo de Chimborazo es muy generoso, está dispuesto a dar de lo que tiene. Sea el momento de agradecer por la generosidad con la que prestamos nuestra ayuda al pueblo de Nicaragua en dos ocasiones y últimamente también al pueblo salvadoreño. Sí, es generoso. Pero, ¿será suficiente dar una partecita de nuestra pobreza? ¿Será suficiente dar una ayuda esporádica? O, ¿qué más tendremos que dar?.
Cristo empezó dando su mensaje, mensaje de salvación, mensaje de liberación, la Buena Noticia, la Buena Nueva, para eso vino a la tierra. El cristiano está en la obligación de recibir también esta misión de llevar el mensaje a sus hermanos, de enseñar ese mensaje de Cristo, ese mensaje de salvación, el auténtico mensaje de salvación, ese que está destinado a liberar a los hombres de todas las cadenas, porque está destinado a ser libre.
Ese mensaje, tenemos la obligación de llevarlo, de dárselo a nuestros hermanos, de multiplicar por lo mismo, las organizaciones, las comunidades eclesiales de base, todo tipo de organización, al seno de las cuales podamos llevar este mensaje de Cristo.
Tenemos que dar, dar el mensaje, pero algo más, ¿qué más? Darnos nosotros mismos, dar de nuestro tiempo, dar de nuestra vida, de nuestras preocupaciones, no encerrarnos en nuestro egoísmo, no movernos únicamente dentro de nuestra capa, no, mirar hacia fuera, contemplar, descubrir, compartiendo las angustias, las incertidumbres, la pobreza, los dolores de tantos hermanos nuestros. ¡Démonos! ¡Demos el corazón! ¡Demos nuestro amor a nuestros hermanos!
El mandamiento del amor es el mandamiento fundamental del cristiano, esa es la única garantía de que somos de verdad cristianos, si amamos al prójimo, si amamos a nuestros hermanos, con un amor grande. No vamos a predicar el odio, no, es el amor, este es el objeto de nuestra preocupación, como cristianos tenemos que amar y si es necesario como consecuencia de todo lo dicho, dar la vida, dar la vida por nuestros hermanos, entregar esto que más apreciamos, a lo que más está apegado nuestro corazón, la vida, como Cristo, como tantos otros mártires de América Latina en nuestros últimos tiempos, como este profeta y mártir de El Salvador, Mons. Óscar Arnulfo Romero.
Que el Señor, que Jesús, nuestro Salvador, nuestro Liberador, con toda su luz, con toda su fuerza esté en cada una de las vidas de ustedes, en cada uno de los corazones de ustedes y que ustedes sepan corresponder a este llamado que hace el mismo Señor Jesús a todos cuantos nos llamamos cristianos, demos, démonos, entreguemos nuestra misma vida.
FUNDACIÓN PUEBLO INDIO DEL ECUADOR
recebi por email do amigo
THIESCO CRISÓSTOMO
terça-feira, 7 de julho de 2015
Carta ao Papa Francisco - Paulo Suess
Querido Papa Francisco,
amado Pastor e Irmão Maior:
Saúde e Paz!
“Conte conosco” !
amado Pastor e Irmão Maior:
Saúde e Paz!
“Conte conosco” !
O senhor é dom de Deus para o mundo e para a Igreja nesta “mudança de época”. Desde sua primeira aparição na Praça de São Pedro, apresentando-se como Bispo de Roma e pedindo a bênção do Povo, nos animou e encorajou a manifestar-nos livremente como Povo de Deus.
Através de Eduardo Brasileiro e Vinicius Lima Batista, nossos representantes noEncontro Mundial de Movimento Populares na Bolívia, expressamos, “desde esse fim do mundo”, incondicional apoio ao senhor e também algumas preocupações.
Somos cristãos católicos - leigos e leigas, religiosas e religiosos, presbíteros e também membros de outras confissões - da Zona Leste de São Paulo (perto de 3 milhões de habitantes), especificamente Diocese de São Miguel Paulista, articulados sob a identidade “Igreja, Povo de Deus, em Movimento” (IPDM), cujo “Princípios da Identidade” lhe enviamos em anexo.
O grupo nasceu em 2010, por iniciativa de alguns leigos e cinco padres, no intuito de retomar o Vaticano II e as conclusões das Conferências do Episcopado Latino-Americano. Se na época vivíamos um “inverno eclesial”, com a sua providencial eleição para Bispo de Roma, somos desafiados à “pastoral em chave missionária” (Ev. Gaudium, 33) e à ousadia de ser “uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas que a uma Igreja enferma pelo fechamento e comodidade de se agarrar às próprias seguranças” (Ev. Gaudium, 49).
Algumas preocupações:
1. Indiferentismo do clero (diáconos, padres, bispos, arcebispos): Sentimos que “Francisco, Bispo de Roma”, ainda não foi incorporado em muitas das Dioceses do Brasil. Caminhando para o terceiro ano de seu ministério apostólico, não vemos entusiasmo e efetivo empenho pastoral em fazer do “Evangelho da Alegria” referencial das práticas pastorais. Há certo “silêncio e desinteresse” quanto às suas “provocações” para sermos “Igreja em saída”.
2. Nomeações de bispos: há que se garantir participação dos presbitérios e dos Regionais da Conferência Episcopal na nomeação de bispos. A forma atual não privilegia nomeação de bispos pastores. Nesse sentido, há também um “lobby episcopal” conservador que encontra na Nunciatura Apostólica total e irrestrito reconhecimento. Um simples exemplo: nos últimos 35 anos, apenas 6 presbíteros da Grande São Paulo foram nomeados bispos.
Há, na Grande São Paulo, competentes e lúcidos presbíteros pastores, cujo testemunho evangélico os credenciaria ao ministério episcopal. Vêm exercer o ministério episcopal na metrópole padres de pequenas cidades de Minas Gerais, Paraná e do interior de São Paulo. Isso é real desconsideração para com os presbíteros de São Paulo, São Miguel Paulista, Santo Amaro, Osasco, Itapecerica da Serra, Guarulhos e Mogi das Cruzes. À renúncia ou transferência de um bispo diocesano o presbitério sequer é consultado sobre aquele que será o seu próximo bispo. No Brasil ainda são nomeados bispos de perfil burocrático-alfandegário, com “psicologia de príncipes”. Todos os padres, da década de oitenta, formados na Teologia da Libertação vivem marginalizados em suas próprias dioceses.
3. Os seminários de filosofia e teologia: constatamos expressivo número de seminaristas apaixonados pela “carreira eclesiástica”, facilmente constatável em suas conversas, em suas vestes clericais ultrapassadas, em seu alinhamento com presbíteros também carreiristas e dinheiristas e no empenho medíocre nos estudos filosóficos e teológicos. Para eles, o “cheiro das ovelhas” quanto mais longe, melhor. Sugerimos radical reforma dos seminários. A experiência de “casas de formação” ligadas a uma paróquia, sob responsabilidade de párocos sérios, parece-nos a melhor maneira de formar padres para a eclesiologia proposta pelo senhor na Evangelii Gaudium. Os seminaristas, num significativo número, querem ser “bispos” – como horizonte “eclesiástico”. Permita-nos dizer, Papa Francisco, os seminários podem fazer ruir todo o seu projeto de Igreja para os próximos anos.
4. Sínodo dos Bispos e comunhão sacramental para casais de segunda/terceira união: apreensivos, aguardamos uma palavra oficial e definitiva da Igreja para que casais de segunda ou terceira união possam, enfim, participar integralmente da eucaristia. O senhor mesmo deve ter encontrado, em seu ministério pastoral, inúmeros casais cristãos dedicados à evangelização e privados da comunhão sacramental. Perdoe-nos a pretensão: se “a eucaristia é fonte e cume da vida cristã” (SC 10), como aceitar a exclusão dela de pessoas de vivência cristã? Apelar para a “comunhão espiritual” num contexto litúrgico-sacramental é negar a “sacramentalidade” da própria assembleia litúrgica.
5. Sínodo dos Bispos e população LGBTs: o mundo jamais esquecerá sua espontânea e humana expressão, quando da viagem do Rio de Janeiro de volta a Roma, no avião: “quem sou eu para julgar”? O senhor bem conhece o atroz sofrimento espiritual, psíquico, eclesial, social e familiar pelo qual passam milhões de irmãos e irmãs cuja opção homoafetiva é discriminada, demonizada, perseguida, odiada. Quantas pessoas dessa imensa população já não pensaram e tentaram o suicídio, a cada dia? Afirmar que a Igreja aceita a homossexualidade mas não a prática dela é mutilar as pessoas na totalidade do seu ser. Além disso, passamos por ridículos, aos olhos da ciência e da prática adulta, responsável e ética de milhares de pessoas.
6. Celibato opcional: No Brasil demos passos firmes quanto aos ministérios leigos, sobretudo o ministério de presidentes da Celebração da Palavra na ausência do presbítero; ministério do batismo e ministério das testemunhas qualificadas para o sacramento do matrimônio. Há inúmeras mulheres, inclusive, presidentes destas celebrações. Até recentemente eram também aceitas como testemunhas qualificadas do sacramento do matrimônio. A aceitação de ministros e ministras se, no início conheceu alguma resistência, hoje é tranquila, de um lado. Mas, de outro, ameaçada seriamente pelo clericalismo de presbíteros formados entre 1989-2014, cuja prática e pregação vêm transformando os leigos em “ovelhas”, também clericais. A aceitação da ordenação de “viri probati” não encontra resistência entre o povo. Pelo contrário, aprovação. No entanto, um certo tipo de clero, apegado a privilégios pecuniários e não disposto a avançar em tal questão, torna-se sério obstáculo. Notamos certo comodismo e preguiça pastoral e consciente opção pelo “fez-se sempre assim” (EG, 33).
7. Leigas e Leigos na Igreja: Na Evangelii Gaudium o senhor retoma a necessidade do Conselho Paroquial de Pastoral. Papa Francisco, é lastimável a maneira como são tratados milhares de leigos e, sobretudo, leigas nas paróquias e dioceses. Expressivo número delas não têm Conselho Pastoral. Os leigos mais conscientes são marginalizados, quando não afastados de suas atribuições, como “cobras venenosas”. Há inúmeros casos de destituição de Conselhos Paroquiais e Diocesanos segundo o “gosto” e os “interesses” do novo pároco ou (arce)bispo. Testemunhamos preocupante “infantilização” de leigos e leigas através de atitudes eclesiásticas autoritárias e da priorização a movimentos religiosos de perfil fundamentalista e conservador. Incentiva-se um “devocionismo” ao gosto do “consumo religioso de bênçãos imediatistas” e, quando não se persegue, deixa-se ao próprio abandono as pastorais organizadas. Como se garantir efetiva cidadania laical na Igreja?
8. Igreja e Movimentos Populares e Sociais: um vibrante agradecimento ao senhor por ter confirmado e reafirmado a “opção preferencial pelos pobres” que, de forma transversal, está presente na Evangelii Gaudium e na Laudato Si. O senhor trouxe a Igreja de volta aos desafios do mundo, empurrando-a para as “periferias existências e geográficas”. Cardeais, arcebispos, bispos, padres e seminaristas, mídia e governos, não têm mais argumento para dizer que tal opção é sociológica ou ideológica. Muitíssimo obrigado!
Saiba que os signatários desta carta, estão com o senhor. Conte conosco para todas as mudanças estruturais as quais o senhor se propõe encaminhar.
E, como sempre nos pede, “rezamos pelo senhor”.
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A invisibilização de Francisco - Rodolfo Luis Brardinelli
A análise é de Rodolfo Luis Brardinelli e publicada por Página/12, 06-07-2015. A tradução é de André Langer.
Rodolfo Luis Brardinelli é sociólogo da Universidade Nacional de Quilmes e membro do grupo Cristãos para o Terceiro Milênio.
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A Laudato si’, a encíclica social apresentada pelo Papa Francisco, foi recebida por um sugestivo coro de elogios. “Destoaram” apenas alguns representantes da direita norte-americana, como Jeb Bush, Rick Santorum e outros, católicos e republicanos, que disseram que “o Papa está vendendo uma linha de socialismo de estilo latino-americano” e que deveria ocupar-se mais em “tornar melhores as pessoas e menos com questões que têm a ver com aspectos políticos”.
Tanta unanimidade no elogio de um documento que critica fortemente o sistema capitalista e o consumismo é, no mínimo, chamativa. Mais lógico seria que uma encíclica que afirma que a solução da crise é política porque “o mercado por si mesmo não garante o desenvolvimento humano integral e a inclusão social” colha não apenas a crítica de um punhado de ultraconservadores norte-americanos, mas também a de uma longa fila de políticos, empresários, economistas, jornalistas e religiosos que crescem com o sistema e hoje se fazem de distraídos ou resmungam elogios de compromisso.
Gerentes, representantes e defensores do sistema, assinalado pela encíclica como causador do desastre humanitário e ecológico aos quais seguramente não lhes faltam vontade de mandar “o Papa ocupar-se com outras coisas”, como fez Jeb Bush, mas, mais astutos que ele, calam e esperam que a inércia conservadora que arrasta a Igreja acabe por invisibilizar a Laudato si’ como já fez com outro documento de Francisco com fortes definições sociais, a Evangelii Gaudium.
Para comprovar a validade desta estratégia basta reparar nos elogios parciais com que receberam a encíclica os empresários e os formadores de opinião nativos que desde sempre defenderam as virtudes da desregulamentação liberal. Basta ver os sonoros silêncios dos políticos e dos meios de comunicação que, nestes tempos de eleições, apregoam a necessidade de um retorno – isso sim, disfarçado de “mudança” – às políticas de mercado, de ajuste e de endividamento dos anos 1990.
Aconselhados pela “prudência política” calam e esperam. Confiam em que a Laudato si’seja dentro de pouco tempo, por ação ou omissão da Igreja, tão invisível quanto é hoje a Evangelii Gaudium, um documento de Francisco que também fez ranger os dentes, mas da qual hoje, apenas um ano e meio depois da sua publicação, poucos ainda se lembram.
A Evangelii Gaudium, é preciso recordar, é o documento no qual Francisco diz que o desequilíbrio entre ricos e pobres “provém de ideologias que defendem a autonomia absoluta dos mercados e a especulação financeira. Por isso, negam o direito de controle dos Estados, encarregados de velar pela tutela do bem comum”. O que fizeram a Igreja, os bispos e padres para que esta ideia penetre na consciência e se reflita na ação e nas escolhas dos cristãos?
Uma primeira impressão é que fizeram pouco ou nada. Demonstração desta afirmação é talvez o argumento com o qual o diretor de uma importante editora católica explica sua decisão de não publicar um livro sobre a Evangelii Gaudium: “Não vai vender, porque a Evangelii Gaudium não entrou nos agentes de pastoral”, e, mesmo que o editor não o diga, fica claro que essa falta de penetração é consequência de uma decisão expressa, ou o desinteresse de quem define a linha pastoral da instituição.
Não obstante esta confissão, seria interessante comprovar a hipótese mediante um trabalho de sociologia religiosa que precise quantos cursos ou seminários sobre a Evangelii Gaudium a Igreja organizou, quantos documentos ou pregações destinaram a ela os bispos, em quantas instruções pastorais ordenaram ou incentivaram sua divulgação, em quantas matérias das universidades e dos colégios católicos ela é estudada, quantas paróquias organizaram alguma atividade inspirada nela, quantas organizações oficiais de leigos têm-na como referência para sua ação, de que forma as comissões eclesiais de justiça e paz vêm trabalhando com ela, o que fizeram com ela os empresários católicos, etc.
É de desejar que a Igreja, seus bispos e suas instituições, trabalhem de tal maneira que a Laudato si’ não siga o mesmo caminho obscuro e, por outro lado, converta-se no que deve ser: um novo paradigma de evangelização. Mas isso está para se ver. Enquanto isso, a invisibilização da Evangelii Gaudium é muito recente e muito evidente para não temer que se repita a história e se justifique assim a estratégia dos poderosos que mentem adesão ou calam... e esperam.
in: Instituto Humanitas Unisinos, 07 de julho de 2015
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