pense

"Eles tentaram nos enterrar, mas não sabiam que éramos sementes! "

Proverbio mexicano
Mostrando postagens com marcador alegria. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador alegria. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Ele estava de luto pela perda do amigo, até um “velho” enviar essa mensagem.


awebic-conselho-old-guy-fb

"My friend just died. I don't know what to do."

Em português: “Meu amigo morreu. Eu não sei o que fazer”.  
 A postagem completa foi deletada, deixando apenas a frase acima como título. Porém, só isso foi o suficiente para gerar respostas de diversos usuários, preocupados e solidários. E foi uma dessas pessoas que deixou um comentário que simplesmente vai mudar o jeito que você encara a vida e a morte.

Veja a resposta traduzida do usuário autointitulado de “Old Guy”:

Eu sou velho. O que significa que eu tenho sobrevivido (por tanto tempo) e um monte de gente que eu conheci e amei, não. Eu perdi amigos, melhores amigos, conhecidos, colegas de trabalho, avós, mães, parentes, professores, mentores, estudantes, vizinhos e várias outras pessoas. Eu não tive crianças e eu não posso imaginar a dor que deve ser perder um filho. Mas aqui vão algumas dicas: Eu poderia te dizer que você se acostuma com as mortes, mas eu nunca me acostumei. E eu não quero. Sempre que morre alguém que eu amo é como se abrisse um buraco em mim, não importam as circunstâncias. Eu não quero que isso seja algo que simplesmente passe. 
Minhas cicatrizes são provas do amor e da relação que eu tinha com essa pessoa. E se a cicatriz é profunda, assim era o amor. E que assim seja. As cicatrizes são um testemunho de vida. As cicatrizes são a prova de que eu posso amar e viver profundamente e ser ferido, ou mesmo arrancado, para que eu possa me curar e continuar a viver, e continuar a amar. O tecido da cicatriz é mais forte que a carne original sempre foi. As cicatrizes são um testemunho de vida. As cicatrizes são feias apenas para as pessoas que não podem ver. 
  Quanto à dor, você vai recebê-la como ondas. Quando o navio é destruído, você está se afogando e com destroços ao seu redor. Tudo que flutua em volta faz lembrar a beleza e magnificência do navio que ele era, e não é mais. E tudo o que você pode fazer é boiar. Você encontra algum pedaço dos destroços para se apoiar por um tempo. Talvez seja alguma coisa física. Talvez seja uma memória feliz ou uma fotografia. Talvez seja uma pessoa que também está flutuando. 
Por um tempo, tudo o que você pode fazer é boiar. Ficar vivo. No começo as ondas têm 100 pés de altura e quebram em você sem misericórdia. Elas chegam a cada 10 segundos e não te dão tempo para retomar o ar. Tudo o que você pode fazer é aguentar e flutuar. Depois de um tempo, talvez semanas ou meses, você verá que as ondas continuam com 100 pés, mas elas chegam em intervalos maiores. Quando elas vêm ainda acabam com você, mas, pelo menos, você consegue respirar, consegue funcionar. Você nunca sabe o que desencadeia a dor. Pode ser uma música, uma foto, uma rua, o cheiro de copo de café. Pode ser qualquer coisa... e a onda vem te quebrar. Porém,entre as ondas, existe vida. Em algum momento, e isso é diferente em cada um, você pode achar que as ondas têm apenas 80 ou 50 pés. E quando elas vêm, chegam mais distantes. Você pode vê-las chegando. Uma data importante, um aniversário, natal, ou um desembarque no O’Hare (Aeroporto Internacional de Chicago/EUA). Você pode vê-las chegando - em sua maioria - e se preparar. E quando ela te cobrir, você já sabe que de alguma forma você, de novo, sairá do outro lado. Encharcado, arranhado e ainda apoiado nos destroços, mas você sairá. 
Aprenda isso de um velho. As ondas não param de chegar, e de alguma forma você realmente não quer que parem. Mas você aprende que você vai sobreviver a elas. E outras ondas virão. E você vai sobreviver também. Se você tiver sorte, você vai ter um monte de cicatrizes de um monte de amores. E um monte de navios naufragados.” 
 

Postado: 30 Outubro 2015 03:00. 
Fonte: reddit.com.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Morreu Silvano Fausti, o biblista das periferias


Quando um incêndio devastou a casa de fazenda Villapizzone, na periferia de Milão, grande parte dos seus livros queimaram, 80 metros de prateleiras, milhares de textos em hebraico e volumes raros, comentários do século XVII, livros de exegese e filosofia em várias línguas. Aos amigos consternados, ele respondia com um sorriso: "Ainda bem que eu os tinha lido".

A reportagem é de Gian Guido Vecchi, publicada no jornal Corriere della Sera, 25-06-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
O padre jesuíta Silvano Fausti morreu nessa quarta-feira de manhã, 24, depois uma longa doença que não pôde apagar a sua serenidade. Ele tinha 75 anos e, desde os 37, vivia naquela casa de fazenda às margens da cidade, além dos gasômetros da Bovisa e da linha ferroviária.
Quatro jesuítas e uma comunidade de famílias para compartilhar recursos, espaços, vida, segundo o modelo dos Atos dos Apóstolos. Como repetiria Francisco, o coirmão que se tornou papa, ele considerava a periferia como "um lugar privilegiado" para entender a polis: "Vivendo com pessoas que estão de propósito ou por necessidade às margens, você entende o que a sociedade descarta ou joga fora. O princípio da economia é produzir cada vez mais. Mas do que me interessa produzir mais? Interessa-me viver. Hoje, a cidade é o lugar da perda de humanidade, e os homens acabam na descarga: as crianças, os velhos, aqueles que estão em necessidade".
Ele tinha estudos em filosofia e teologia, doutorado em fenomenologia da linguagem em Münster. Quem não o conhecia, não imaginaria que esse homem de calça jeans, sandálias e camisa xadrez, dedicado a varrer as folhas secas de manhã, era um dos autores mais lidos e influentes do pensamento cristão contemporâneo.
O cardeal Carlo Maria Martini o tinha escolhido como padre espiritual e confessor. Ao lado do caminho de Villapizzone e na igreja dos jesuítas de San Fedele – por muito tempo junto com o padre Filippo Clerici: ele morreu em 2008, e foi a maior dor dos seus últimos anos –, ele continuou por décadas, a cada semana, a sua "catequese narrativa", a leitura e o comentário dos quatro Evangelhos e os Atos. Os livros que as reúnem estão entre os seus textos mais amados.
"As pessoas não ouvem aquilo que você diz, ouvem o que você sente. Por isso, durante uma lectio, nunca sou eu que leio o Evangelho. A eficácia da palavra oral está nesse sentir interior. Caso contrário, você pode fazer considerações vazias ou doutas, ou repetir o que outros pensaram, e tudo será fingido".
No livro autobiográfico Sogni allergie benedizioni [Sonhos, alergias, bênçãos], ele havia escrito: "Sonho com um papa que convoque um Concílio. Não um Vaticano III, mas umJerusalém II. Para 'desreligionizar' a Igreja em sentido barthiano, ou ao menos desclericalizá-la em sentido cristão, ou ao menos desocidentalizá-la em sentido católico, ou ao menos desromanizá-la em sentido evangélico, ou ao menos descurializá-la em sentido apostólico". Ele foi publicado quando Francisco foi eleito.
Em 2014, ele escrevera um texto para a noite que a revista Popoli, em San Fedele, dedicou ao primeiro ano do pontificado: "'Cheirar a ovelha' é o lema do pastor de Roma. O seu cheiro é o mesmo das ovelhas. Ele está com elas dia e noite". Uma reflexão vertiginosa: "É a cruz de Jesus – distância que ele pôs entre si e as nossas ideias sobre Deus – que o revela como Deus. Com todo o respeito de todos, é preciso dizer não 'Jesus é Deus', mas 'Deus é Jesus'. O sujeito, de fato, é o incógnito do qual se conhece o predicado. Mas nenhuma teólogo jamais viu a Deus: é o 'sujeito' do qual tudo fala, mas só por analogia. O seu 'predicado' próprio e total é Jesus".
Quando morreu um coirmão seu, o padre Silvano contava, sorrindo, o olhar de alegria no momento da despedida: "Por toda a vida, busquei o rosto de Jesus. Em breve poderei revê-lo".
Sexta, 26 de junho de 2015 in Instituto Humanitas Unisinos

A alegria revolucionária nas palavras de Francisco. Artigo de Carlo Petrini

A opinião é do chef italiano Carlo Petrini, fundador do movimento Slow Food, em artigo para o jornal La Repubblica, 19-06-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto in Instituto Humanistas Unisinos Domingo, 21 de junho de 2015
Francisco, no fim da encíclica Laudato si', antes de propor as duas orações conclusivas, afirma ter feito uma "reflexão jubilosa e ao mesmo tempo dramática". Gostaria de dizer, porém, que é a alegria que prevalece – e afirmo isso como leitor não crente –, embora os pressupostos sejam dolorosos.
É a alegria de poder acreditar em uma mudança revolucionária e em uma nova humanidade. É a alegria que aprofunda as palavras do papa, cheias de esperança, mesmo quando descrevem os piores desastres em que nos encontramos.
Essa encíclica, de fato, é, principalmente, uma dura mas objetiva tomada de consciência sobre a realidade da nossa casa comum, a Terra com a sua Criação. É muito lúcida na análise de quanto dano nós fizemos às coisas e às pessoas, definindo os nossos modelos de desenvolvimento de maneira enlouquecida, razão pela qual deixamos que a nossa política se subjugasse à economia. e a economia, à tecnologia.
Na sua primeira parte, o texto é um perfeito resumo, altamente educativo, da situação em que o mundo se encontra: poluição e mudanças climáticas, a questão da água, a perda de biodiversidade com as consequências da deterioração da qualidade da vida humana, a degradação social, a propagação da iniquidade em um mar de indiferença e de suposta impotência. Um quadro que não deixa margens a dúvidas, nem mesmo científicas.
Ele nos fala da realidade de forma crua, mas não interpretável e, da realidade, na qual várias vezes e de forma nada casual a encíclica se ancora, ele parte para as considerações sucessivas. Saber olhar, com a mesma capacidade de se surpreender e de enternecer pela beleza da Criação própria de São Francisco – essa magnificência está toda no título,Laudato si' – também significa saber compreender um estado humano não mais adequado à casa comum e mergulhar plenamente no nosso tempo.
O apelo a "cultivar e guardar", como está escrito no Gênesis, citado em várias ocasiões, é uma referência a algo antigo e ancestral, que nos pede desde o início dos dias para viver com equilíbrio a nossa natureza mais profunda de seres humanos. Enquanto isso, torna-se um compromisso revolucionário para o futuro. Não há dúvida de que essas palavras representam um dos momentos de virada mais importantes na história da Igreja e, sobretudo, da humanidade.
A novidade está na mensagem universal de Francisco: ele, como não deixou de afirmar desde os primeiros passos do seu pontificado, pretende falar também com quem professa outras fés e aos não crentes, e faz isso escolhendo um tema muito atual, mas também sem tempo, eterno, porque realmente transcende a vida terrena do homem.
Francisco se dirige a todos, como fez João XXIII na Pacem in Terris, em 1963, que dedicou o texto "a todos os homens de boa vontade". Forte é o apelo ao diálogo entre as religiões, entre ciência e religião, entre saberes tecnológicos (e tecnocráticos) e sabedorias antigas, entre paradigmas e entre todos os homens. Que ninguém se sinta excluído das palavras do Santo Padre: ninguém pode ficar indiferente diante da descrição da dramática realidade em que se encontra. Devemos "nos sentir unidos por uma mesma preocupação".
Não são poucos os homens da ciência que previram um futuro em que a raça humana se extinguirá, se continuar consumindo mais recursos do que a natureza dispõe. Além disso, Francisco também escreve: "Se alguém observasse de fora a sociedade planetária, se admiraria com tal comportamento que às vezes parece suicida".
Esses cientistas também concordam em dizer que o fim da humanidade não representaria o fim do planeta, a biosfera sobreviveria à espécie humana, sem muito esforço, implementando os devidos ajustes ao seu complexo sistema de interações entre seres vivos, sejam vegetais ou animais.
"Nós não somos Deus, a terra nos precede e nos foi dada." Por um lado, a hipótese da extinção humana, que eu não considero totalmente improvável, nos faz intuir como até para quem vive uma dimensão espiritual diferente a vida terrena, necessariamente, deve ser atribuída a uma renovada abordagem diante da história do mundo. Por outro lado, tudo isso nos exorta, indistintamente, a interagir de forma mais responsável com o resto das espécies vivas.
É um passo que não pode mais ser prorrogado, para tornar reciprocamente profícuo a nossa existência sobre este planeta e preservá-lo em favor das gerações futuras, mas sobretudo da própria Criação: um sistema tão complexo a ponto de não ser ainda plenamente conhecido pelo homem, em que o indemonstrável – segundo os meios científicos de que dispomos – ainda tem um peso decisivo na ordem das coisas, misterioso para quem não crê, que diz respeito ao próprio íntimo e à fé para os crentes, caracterizado, porém, por uma beleza que nos liga à nossa responsabilidade.
Várias vezes, o papa fala de beleza, como critério estético e espiritual, que deve guiar a nossa ética e a nossa política. A mesma beleza que São Francisco canta.
Na exortação a cultivar e a guardar, para além de um sentido epocal filosófico e teológico que está totalmente na definição de "ecologia integral", entreveem-se também questões candentes que podem ser definidas como políticas: com tal força que nos leva, sem possibilidade de escolha, a uma mudança radical, que deverá renovar o homem e as coisas feitas pelo homem.
No texto de Francisco, não faltam referências a um sistema tecnofinanceiro que não funciona e demonstra a sua incompatibilidade com uma sociedade harmônica e justa. Não só isso, mas também a centralidade da política, entendida como capacidade de desenhar o mundo que queremos e de fazer as escolhas necessárias para realizá-lo, é reafirmada diante de um momento histórico em que a perseguição quase espasmódica do lucro impede que os governantes tomem decisões clarividentes, capazes de imaginar um futuro para além dos prazos eleitorais.