pense

"Eles tentaram nos enterrar, mas não sabiam que éramos sementes! "

Proverbio mexicano
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quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

IMPRESSIONANTE RELATO DO HORROR EM BRASÍLIA...

AI-5 SE ATUALUZA APÓS  48 ANOS...
ESTADO DE EXCEÇÃO SE AFIRMA...

HÁ QUE COMPARTILHAR O MAIS AMPLAMENTE...

Saímos de Campina Grande- PB no domingo, dia 27. Éramos três professores: um do IF e dois da UEPB, e os demais 42 eram estudantes secundaristas e universitários. No dia da nossa chegada, nos concentramos na UNB.
No dia seguinte, fomos ao local das atividades. Após concentração e distribuição do almoço no MEC, assistimos a fala da Maria Lúcia Fatorreli. Em seguida, caminhamos para a concentração no Museu e de lá caminhamos em direção ao Senado. Nunca tinha visto tanta gente na rua lutando pela mesma causa. Não sou a melhor pessoa para números, mas acredito que tínhamos 50.000 pessoas na rua. A energia era forte, uma mistura de determinação e esperança. Nosso grupo rapidamente chegou ao gramado que antecede o espelho d'gua. Sem aparente identificação,  os policiais já estavam posicionados para nos receber. Até então não tinha havido nenhum tipo de embate, apenas algumas pessoas dentro da água. Do lado oposto em que estávamos, uma mulher dizia algo para os policiais. Nesse momento tive a idéia de abrir a bolsa e pegar o celular. Nessa fração de segundo ouvi uma vaia generalizada e levantei os olhos: a mulher estava inerte na água. Todos se revoltaram com o fato do policial jogar spray de pimenta algumas vezes e ela não recuar. No entanto, a maior revolta foi a agressão física que a fez desmaiar na água: enquanto jogava o spray, ele a chutou no rosto. Lembrem- se que ela estava no nível mais baixo ( na água) e ele no terraço do Senado. Sim, a polícia provocou e começou as agressões. Aí tudo virou um caos. Um grupo virou um carro branco, acendeu o fogo e em seguida o empurrou em direção aos policiais, numa espécie de barricada para tentar resgatar a moça. Outras pessoas foram de mãos para cima para tentar negociar a retirada garota, mas também levaram spray de pimenta.  Nesse momento, as bombas de gás lacrimogêneo começaram a cair por todos os lados. Uma caiu na nossa frente, saímos de lá com aquela sensação de queimor insuportável, mas, ao mesmo tempo, já estávamos com pequenas quantidades de vinagre ( já que este e o leite de magnésio são eficazes para barrar os sintomas que o gás causa). Todas essas recomendações recebemos e propagamos na viagem, bem como as estratégias de rota de fuga ( com uma montagem de um mapa do plano piloto) em caso de embate com a polícia, dispersamento ou desencontro.
A medida em que recuávamos, a polícia avançava. Ela não poupava ninguém. Quando o protesto começava a tomar corpo, já se aproximava do fim do expediente dos trabalhadores. Ninguém foi poupado. Vi idosos, mulheres com crianças, e nós, os militantes, apanharem muito. O desespero era fugir do gás e, simultaneamente, retirar quem estivesse atingido ao lado: foi a maior lição de solidariedade que vivi.
Nossa janela de fuga ( sim, porque 95% das pessoas que lá estavam não foram preparadas para uma guerrilha urbana) foi proporcionada pelos Blacks BLOCKs. Eles retardaram o avanço da polícia e criaram, junto com alguns militantes mais experientes, barricadas para conter o avanço policial. Eles também apanharam muito. Carros foram queimados para distrair atenção dos agressores, painéis e alguns prédios de ministérios foram quebrados na tentativa de diminuir as agressões e salvar as pessoas feridas.
Nesse momento percebemos os helicópteros ( eu contei 4 diferentes). No início eu achei que era apenas para acompanhamento da movimentação da massa. Já no início da noite, algumas aeronaves começaram a fazer voos mais baixos e, logo em seguida, estourava uma nova bomba. Eu não vi cair nenhuma bomba dos helicópteros, mesmo porque o inferno estava no solo, mas a polícia estava muito longe para que as bombas chegassem a nós. O pior aconteceu quando a cavalaria entrou em ação. O pânico tomou de conta. As pessoas corriam enlouquecidas com medo de serem pisoteadas pelos cavalos. E o confronto seguiu nesse terror. Estávamos assustados demais para reagir e, em nosso grupo, a prioridade era proteger os alunos já que a maioria deles nunca tinham presenciado embates tão duros. Hoje percebo que o país inteiro não tinha vivido tão recentemente tamanha truculência.
Conseguimos enviar boa parte do grupo para o ônibus, mas ainda tínhamos que pegar os outros no nosso ponto de fuga. Criou-se assim uma espécie de equipe de resgate. Nesse momento trocamos de blusas, tiramos botons/adesivos e jogamos as bandeiras fora. O mais importante era restabelecer em segurança o grupo. E as bombas continuavam a cair. Um dos aspectos que a bomba causa é o impacto psicológico: elas tem um som ensurdecedor e treme o chão quando toca o solo. Ainda assim, depois de juntarmos quase todos e o clima aparentemente ter  acalmado, ainha tínhamos os desaparecidos. Só tínhamos duas alternativas: hospital ou cadeia. A ajuda dos companheiros que não estavam no protesto foi fundamental. Eles nos ajudaram a localizar várias pessoas, entre elas, nossa companheira desaparecida que estava no hospital da UNB. Ela foi socorrida por uma enfermeira que tinha na mão o magnésio e a achou desacordada debaixo de uma árvore. Não sabemos seu nome, apenas que salvou nossa aluna. Para esta pessoa os meus mais sinceros agradecimentos. Não são todos que se dispõe a salvar a vida do outro, colocando a sua própria vida em jogo. Não podemos esquecer da equipe médica que a atendeu. Não tenham dúvidas de que foi um belíssimo trabalho, já que nossa aluna possuía uma fragilidade pulmonar que complicou os sintomas do gás em seu corpo. Obrigada equipe médica da UNB.
Ao acordar, nossa aluna conseguiu passar as informações para o pessoal do hospital, que entraram em contato com familiares e professores de sua unidade de ensino que, por sua vez, entraram em contato conosco. Ela nos relatou que o hospital estava cheio e que, em sua maioria, mulheres eram as principais vítimas, sobretudo as que estavam com os seios desnudos. Impossível não fazer um leitura sociológica desse fenômeno.  Ela também nos relatou um caso de uma criança de ( aparente)10 anos. Ela e sua mãe estavam muito machucadas: a mãe com marcas roxas pelo corpo causado pelo cacetete, a criança com 15 pontos na boca em direção às maçãs do rosto. A mãe foi buscá-la na escola vestindo uma camisa do "Fora Temer" e, por azar, estava no olhou do furação. A mãe foi agredida pelo policial que, não satisfeito com o espancamento, partiu para agredir a criança.
Pude perceber que existia prazer em alguns policiais em agredir as pessoas, outros, nos indicavam com um olhar uma rota de fuga. Pessoas e pessoas.
Não posso deixar de mencionar o papel de alguns cidadãos de Brasília. Mesmo não estando no protesto, eles nos indicavam os possíveis caminhos para fugir daquela insanidade. Muito obrigada.
Já passava das 21h e ainda tínhamos alunos desaparecidos. Ficamos sabendo que a polícia tinha fechado a rodoviária e estava prendendo militantes dentro dos ônibus estacionados nas imediações da rodoviária. Ao mesmo tempo, dois dos nosso alunos estavam em outra localidade com uma delegação diferente. Decidimos pegar um táxi e entrar na rodoviária para procurarmos o último desaparecido. Para nossa sorte, recebemos mensagem de que ele tinha encontrado nosso transporte e estava a salvo. Assim retornamos ao ônibus e saímos de Brasília naquele mesmo momento.
Sentimos falta da presença da CUT e MST.  Acredito que se eles estivessem lá o resultado poderia ser diferente. No entanto, as entidades que estavam, nos deram maior apoio possível, inclusive, de ordem tática. Não foi a toa que a polícia deu voz de prisão aos manifestantes que estavam no alto do trio elétrico chamando a militância a resistir ao avanços dos policiais.
Acredito que o protesto de ontem e seus desdobramentos deram início a outro momento na história do país. E o protagonismo será da juventude. Cabe a nós, os professores, o papel de elaborar proteger, orientar, salvar, zelar e agir por nosso jovens.
Me desculpem eventuais erros e equívocos, mas ainda estamos na estrada rumo ao nosso destino. Ao menor sinal de Internet, recebemos muitos pedidos de informações e, por este motivo, fiz esse relato.
Nesse momento, 20:56 do dia 30/11/16, em algum lugar desta enorme Bahia, decidi escrever esse texto como forma de informação, mas também de expurgo para a compreensão geral dos chocantes acontecimentos de ontem.

É imprecionante o crescimento individual deste grupo de alunos. Eles estão mais coesos e solidários. No início da viagem houve pequenos ruídos por causa dos posicionamentos de um grupo de alunos com outro grupo que tinha orientação  lgbt. Neste exato momento estou sentada entre dois grandes grupos que estão debatendo questões específicas. Os rapazes mais conservadores estão discutindo gênero com parte do grupo lgbt e o outro discutindo formas de exploração do trabalho. Se tornaram homens e mulheres, literalmente, do dia pra noite. Eu apenas os observo, afinal quem mais está aprendendo aqui sou eu. E meu coração está inundando de amor e felicidade.

A PEC passou e irá passar. Mas o sentimento de que fiz ( fizemos) tudo que estava ao meu (nosso) alcance me conforta, mas não me resigna. Saio mais convicta da necessidade da luta.

Mauriene Freitas, Profa da UEPB.

terça-feira, 5 de julho de 2016

Lançamento do Livro: PRECONCEITO CONTRA A JUVENTUDE

Amigos e amigas,

Boa noite!

Apresento a voces um Livro novo que está em pré-lançamento!
Este livro tem como título PRECONCEITO CONTRA A JUVENTUDE e é organizado pelo Padre 
Paulo F. Dalla-Déa, da Diocese de São Carlos/SP. Está sendo lançado pela Editora Prismas, de Curitiba/Paraná.

Neste livro tem um capítulo de minha autoria: A gangue dos invisíveis: a “invisibilidade” da PJ na Igreja Católica. Abaixo partilho com vocês o Sumário e a Introdução do mesmo para ter uma visão de todos conjunto.

e também um amigo pejoteiro escreve outro capítulo: Juventudes sob controle - José Luiz Possato Jr

Para adquirir o livro entrar em contato com a Editora Prismas no seguinte endereço:
Editora Prismas Ltda.
agenteeditorial@editoraprismas.com.br
Rua Cel. Ottoni Maciel, 545 – Vila Izabel
Tel: (41) 3030-1962  – 3030-1964
Celular (41) 9828-0148
CEP.80320-000 - Curitiba, PR

O preço de cada exemplar é de R$ 28,00.

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PRECONCEITO CONTRA A JUVENTUDE
Paulo F. Dalla-Déa (Org.)
1ª Edição - Copyright© 2016 Editora Prismas

Sumário

INTRODUÇÃO
Um assunto difícil de abordar... ..........................7
Ensaio sobre o preconceito contra a juventude
Paulo F. Dalla Déa ..................................................... 11
Juventudes sob controle
José Luiz Possato Jr ................................................... 33
A gangue dos invisíveis: a “invisibilidade” da PJ na
Igreja Católica
Onivaldo Dyna ......................................................57
Preconceito Religioso no Amapá
Msc. Marcos Vinicius de Freitas Reis e Esp. Bruno Rafael
Machado Nascimento .............................................87
Testemunhos de jovens .................................. 117

INTRODUÇÃO
Um assunto difícil de abordar...

“Alegra-te jovem na tua mocidade,
alegre-se o coração nos dias de tua mocidade
e anda pelos caminhos do teu coração e pela vista
dos teus olhos;
sabe porém que por todas essas coisas te dará
Deus o juízo.
Afasta a ira do teu coração e remove de tua carne
o mal,
porque adolescência e juventude são vaidades. ”
Eclesiastes 11, 10-11

A Bíblia é um livro fenomenal. Recorde de edições, de traduções e de leitores, nunca houve um livro tão lido e que fizesse tanta diferença na vida de tanta gente.... Extraordinário para o bem e para o mal. Hoje, conflitos entre povos ainda são inspirados pela Bíblia: conflitos entre católicos e protestantes na Irlanda; entre judeus e palestinos na Terra Santa (deve ser chamada assim pelos inúmeros mártires de todos os lados que lá tombaram em nome da fé) e muitos outros, tanto hoje como ontem (receio que amanhã também, mas queria crer que não).
Contudo, pela citação de Eclesiastes, podemos ver que o que valia mesmo na época da escritura do Eclesiastes era a idade avançada. Não sou biblista e não vou me aventurar pelos caminhos tortuosos e técnicos da exegese e da crítica textual ou da historiografia e da história da composição do texto. Se quiser, o leitor poderá acompanhar essa discussão técnica em outros livros e textos. Estou aqui para falar um pouco dos preconceitos sobre a juventude. Essa pretende ser uma obra coletiva, recolhendo textos meus e de alguns amigos, jovens autores, sobre o tema.
Juventude é sempre um tema carregado de emoção: ou porque as pessoas tendem a idealizar o jovem como algo sempre bom (como as propagandas de refrigerantes e de roupas) ou tendem a projetar sobre ele as frustrações de sua época que não foram bem resolvidas. Dificilmente o olhar é sereno sobre o assunto. Pior ainda se falar sobre
adolescência.... Aí o assunto tende sempre a sair dos trilhos, para o bem e para o mal, sem se dar conta que a projeção é um mecanismo psicológico bastante traiçoeiro.
O presente texto não pretende ser totalmente acadêmico, mas contribuir para uma discussão que tem um viés prático-pastoral. Entre os colaboradores temos acadêmicos e jovens que vivem na pele de suas opções vitais o compromisso com a juventude. Não se pode apenas discutir de fora um tema: a neutralidade científica absoluta é um mito já desmascarado há décadas, já no século XX.
Por isso, gostaria de apresentar os autores do texto, alguns são acadêmicos, outras trabalham com a Pastoral e já foram assessores da CNBB, outros são carismáticos e todos são interessados no tema.

Laísa Silva é formada em Psicologia e é membra da Pastoral da Juventude de Belo Horizonte. Tem 24 anos.
Guilherme Gutierrez tem 25 anos, é membro da Pastoral da Juventude de Belo Horizonte e trabalha no Colégio Santo Agostinho.
Marcos Vinícius é doutorando pela UFSCAR e professor universitário da Universidade Federal do Amapá (UNIFAP) do Curso de Graduação em Relações Internacionais.
Bruno Rafael é professor da rede de ensino do Estado do Amapá. Especialista em metodologia do ensino de História e Geografia; e especialista em ensino religioso.
José Possato Júnior é formado em Literatura, professor na rede estadual de ensino no RS e membro do CEBI. É mestrando em Bíblia pela Escola Superior de Teologia em São Leopoldo-RS.
Onivaldo Dyna é formado em Filosofia e Teologia. Fez mestrado na FAJE - Faculdade Jesuíta em Belo Horizonte MG. Foi coordenador da Pastoral de Juventude Nacional (CNBB), mora em Jales-SP.

Se – ao se falar sobre um tema – se deve tomar distância teórica para se ver com mais objetividade, distanciar-se demais do tema poderá desenraizar e tirar o substrato que dá relevância ao tema. A alternância de distância e enraizamento é difícil, mas é totalmente necessária. Olhar o horizonte sem perder de vista as raízes e os compromissos históricos é absolutamente coerente com o tema a ser estudado aqui. Por isso, queremos empreender esse caminho metodológico. Esperamos dar novas luzes sobre um tema tão desfocado na Teologia e na prática de algumas comunidades.
Como última palavra, quero acrescentar que o livro não tem conclusão, pois o tema é vivo e não tem fechamento, conclusão ou coisa do tipo. O presente texto quer contribuir modestamente com a discussão, dando possibilidades novas para uma discussão velha e - às vezes - rançosa.
Boa leitura e boa reflexão! Se puder, entre em contato com os autores, gostaremos de um feedback.

Paulo Dalla-Déa


A gangue dos invisíveis: a “invisibilidade” da PJ na Igreja Católica
Onivaldo Dyna ......................................................57